Lugar_RSI

AvatarLugar do Real, do Simbólico e do Imaginário
Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

A Rutinha

O Américo dando uma porrada no barato galanteador e a Rutinha fazendo cara de paisagem

Rute (ou Ruth?) era a garota mais cobiçada (???) pela molecada de 10-11 anos da Escola Municipal Mendonça Lima. Ela morava na atual rua Joaquim Máximo Soares, na segunda casa a partir da Getúlio Vargas e eu me recordo de tê-la visto muitas vezes à janela, quem sabe, pensando no seu príncipe encantado...

Não acredito que a sua formosura tenha sido cantada por bardos apaixonados em alguma terra distante, mas o fato é que um primo morador de Mesquita, uma localidade um tanto ou quanto afastada, veio um dia me dizer que estava namorando a Rutinha. Esse primo era metido a conquistador, tinha uma aparência de galã de cinema mudo. E mais não disse nem lhe perguntei. Numa das idas lá em casa deve ter passado pela janela da diva e ter cascateado algumas frases de efeito em seu ouvido.

O que eu não daria para rever a Rutinha... Se estiver viva terá seus 70 anos, creio. Estará ostentando a beleza própria da idade, mais fruto de uma velhice alcançada com venturança ou ter-se-ia convertido em uma baranga, entregue a recordações de mal sucedidos?

As ruas do município àquela época eram servidas por valas negras, esgoto a céu aberto. Na rua da Rutinha não era diferente, aquele valão largo e sombrio. Vai que passou o garoto e, deslumbrado com a beleza da moça, não se conteve e soltou o pobre galanteio: "A Rute hoje está com as coxas maduras"! Sabe você, leitor, o que isso significa? Alguma ofensa ou falta de respeito com a donzela em questão? O fato é que essa foi a interpretação do Américo, um dos inúmeros admiradores da ninfeta. E tanto quanto sua indignação permitia, partiu para o revide. Deu uma tremenda traulitada no petiz que o arremessou para o fundo da vala fétida. Se não doeu a pancada por certo o humilhou ter as vestes manchadas pelas substâncias malcheirosas.

Fui para outra escola, nunca mais ouvi falar da Rutinha. O Américo enveredou por caminhos obtusos. Tomou gosto por violar cabaços, e essa pode ter sido a parte menos cruel de sua trajetória. O certo é que aos 19 ou 20 anos encerraram sua carreira com alguns tiros, bem em frente à minha casa. Disputa por mulheres, disputa pela diamba? Não sei. Tenho certeza que a Rutinha estava fora disso.

2 comments:

19 de setembro de 2010 18:45 vandehugo.com disse...

Sou fã dos teus contos recordatórios. A minha Rutinha, seria a Flávia, que nunca beijei e que nunca esqueço. Flávia, a última vez que vi, casada e com 3 filhos, talvez seja feliz e eu, solteiro, ainda aguardo minha Rutinha. Um abraço.

20 de setembro de 2010 10:41 requeri-assadeira disse...

a cara de paisagem da rutinha tá ótima ...

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