Lugar_RSI

AvatarLugar do Real, do Simbólico e do Imaginário
Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

O Cara e a Coroa, ficção ou realidade?


- Castelo de Windsor, bom dia.
- Bom dia, mamãe. Sou eu, seu filho mais velho.
- Qual o problema, para você ligar tão cedo num sábado?
- Nada urgente. Só queria voltar a falar sobre a foto. Lembra? A foto da reunião do G20.
- Filhinho querido. Cá entre nós, quando você trocou Diana por Camilla, pensei que não me daria mais aborrecimento. Agora você quer que eu pose ao lado dele? Assim não dá!
- Mas, mãezinha, trata-se apenas de uma foto. Não vai durar nada. Poucos segundos e pronto. Não vai doer, posso garantir.
- Com tanta gente importante e perfumada, você quer que eu saia ao lado de quem falou mal dos brancos de olhos claros?
- Ora, mamãe, ele estava falando dos banqueiros americanos e não de nós, pobres integrantes da realeza. Até porque, Diana é quem tinha olhos claros, não nós. Ou não?
- Teu argumento terá que ser muito convincente.
- Está bem. Vou contar, porque a culpa é mesmo sua. Por obrigar-me a estudar, descobri que quando protegemos de Napoleão a família real portuguesa em sua fuga para o Brasil, encontramos uma gente frágil, subornável e para a qual Pátria não representa valor pelo qual se deva sacrificar. A partir dessa constatação, tenho usado a mesada que a senhora me dá para financiar ONGs inglesas que atuam na Amazônia e para subornar autoridades brasileiras. Desde o governo Collor faço isso. Não lhe contei antes para não aborrecê-la. Mas papai, que não faz nada, sabe de tudo. Ele sabe até que estive no Brasil na semana em que o STF votou o caso da Raposa Serra do Sol, a fim de dar uma pressãozinha na turma. Tive inclusive que, ridiculamente, sambar. Mas deu certo. O futuro do nosso Reino e a mordomia da nossa família estão garantidos por mais alguns séculos. Agora é preciso demonstrar o nosso reconhecimento aos brasileiros por nos terem entregue uma das províncias minerais mais ricas do mundo. É fundamental que Mr Presidente saia bem na foto. Você nem imagina a repercussão que isso terá no Brasil.

- Barack não ficará chateado?
- Já conversei com ele. Temos uma estratégia. Durante um dos intervalos da reunião, na frente de todos e, principalmente, da imprensa, ele revelará quem é o “cara”. Não esqueça de que os americanos são extremamente profissionais. Aí, estará fechado o circuito. Para completar, mandarei um agradinho para Brasília: uma caixa do nosso melhor scotch. A senhora sabe que, embora tenha cara de bobo, sou muito esperto (só bobeei no caso de Diana).
Sugiro que mamita faça uma pesquisa no google a fim de saber o que representa o nióbio e onde se encontram suas maiores reservas. Verá que estou cheio de razão.
- Ok, filhinho querido. Tudo pela Coroa. Mas, por favor, nunca mais peça nada parecido. Já estou velha demais para tanto sacrifício.

P.S.: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas e instituições reais terá sido mera coincidência. Ou não?

Sobre os mais lidos e outros assuntos


Os mais lidos na semana que passou:
Carmen Monarcha - o tópico mais procurado, pena que as pessoas não comentem;
E o sertão virou mar - um dia tenho que ver isso de perto, todo brasileiro devia fazê-lo;
Antártida ou Antártica? - já está enchendo o saco, acho que vou apagar esse post;
De bons vinhos e de estranhos no ninho - um desabafo, minha queixa das pessoas que não sabem o que é um bom vinho;
Sítio Solidão - Luiz, meu irmão, dá uma comentada aí no nosso post. Ah, sim, não foi você que entrou na pesquisa...;
Você sabe o que é corretor zoológico?, - eu coloquei um link para um site de jogo do bicho e frequentemente eles vêm até aqui. Mas não precisa ser necessariamente neste post;
Não canto com você, Netrebko! - eu gostaria que as pessoas conhecessem essa cantora fabulosa, que ama sua arte. Colocarei mais posts, colocarei mais tags. Farei como Franz Liszt, que queria promover de qualquer maneira o compositor alemão Richard Wagner. Este lhe agradeceu roubando sua filha, Cósima Wagner (com quem mais tarde se casaria) de seu marido, o pianista e maestro Hans von Bülow. Não creio que Netrebko seja tão ingrata!

Os amigos estão me seguindo nos diversos blogs e eu aqui perdido no Twitter e nos meus diversos compromissos. Inclusive hoje tive que levar minha mãe para a terceira consulta no Hospital do Olho. Espero que seja a definitiva e que ela possa, enfim, fazer a operação de catarata.
Não acredito muito nos seguidores do Blogger, a não ser como um cartão de visitas. Procurarei colocar esses amigos no Netvibes.

Ontem o bicho pegou. O Ronalducho, presumidamente Fenômeno, é mesmo o dito cujo. Estava puxando os cabelos de um zagueiro botafoguense e o juiz nem viu.

Não canto com você, Netrebko!


Tenho uma nova paixão, que ela não saiba disso. Chama-se Anna Netrebko, uma russa considerada a melhor soprano da atualidade. Ela é linda e pegadora. Antigamente as primas donnas eram balofas e tidas como irascíveis, geniosas, egocêntricas. Trazemos no subconsciente a imagem da walkyria usando um capacete com chifres e se esgoelando irritantemente. O tenor não tinha nenhum motivo para dar o melhor de si.

Sobre sopranos temperamentais temos o caso de Maria Callas. Certa vez ela observou ao maestro Arturo Toscanini sua condição de estrela. Ele lhe fez ver que reconhecia apenas as estrelas do céu e lhe pediu mais empenho no ensaio.

Anna é muito profissional, deve ser um doce e, nesse profissionalismo, ela libera seu lado moleca, não se furtando a ir além do que a realidade da ópera exige. Seus lábios, nas cenas de amor, ficam muito próximos dos do parceiro e nem Dmitri Hvorostovsky escapou de um carinhoso selinho, não obstante o poderoso rolo de pastel que sua esposa tem em casa.

No video aqui apresentado ela contracena com Rolando Villazon, o excelente tenor mexicano. Devido às cenas tórridas acontecidas entre os dois em suas apresentações operísticas muitos fãs se perguntam se não existe um romance entre eles. Quem sabe? O real é que nasceu o filho de Anna Netrebko com o barítono uruguaio Erwin Schrott. Ela já gosta de um latino; eu tenho chance. Quero que vocês reparem que Villazon não brinca em serviço. Na hora do beijo, foi pra valer. Sobrou até um pouco de saliva nos beiços da Netrebko, que ela, muito pressurosamente, com os próprios lábios, enxugou.



O uruguaio Erwin Schrott é um cara bonito e canta muito bem. Anna Netrebko pode escolher. Uni-duni-tê, o escolhido foi você. Eis sua página. Eu não tenho chance. Sou feio e canto mal.

Para concluir deixo o link do dueto Nedda-Silvio, da ópera I Pagliaci, com Dmitri Hvorostovsky e Anna Netrebko. Dmitri é atualmente meu barítono (vivo) preferido. E não teve jeito. No final a Anna forçou um clima e pegou o Dmitri. Não canto com você, Netrebko!

Enquete: Você tem facilidade para reatar amizades quebradas?

Meus inimigos, sem contar as antipatias, cabem perfeitamente nos dedos da mão (and I missed no finger). As antipatias são perfeitamente naturais e eu sei disso porque convivi com cerca de 400 camaradas em uma escola militar durante quatro anos. Sempre existe aquele mala cujo papo não nos agrada, que nos olha de cima, que não doa sangue por se achar possuidor de sangue azul. Mas que não fiquemos nos achando, alguns ou muitos podem pensar o mesmo a nosso respeito. Quem possui unanimidade pode se considerar o próximo Papa.

Vou logo respondendo à enquete: Não, não reato as amizades perdidas, ou seja, não tomo a iniciativa. Se aquele que me contrariou tiver deixado feridas leves e pedir perdão, posso reconsiderar. Porque eu penso que nunca chamei ninguém de ladrão, quadrilheiro, sacripanta, ou tentei impor à força meus pontos de vista. No entanto a decisão de colocar o fulano no arquivo morto foi sempre iniciativa minha.

Já estive na política mas não emplaquei. A política é, por assim dizer, um submundo. Nela campeiam a delinquência, o crime organizado e a falta de convicções. O inimigo de hoje poderá ser o amigo de amanhã, sem ao menos um pedido de perdão. Uma desculpa por parte do ofensor poderá aparecer para salvar as aparências. O que conta são as forças ocultas (vide caso de Mangabeira Unger, o Confúcio do Planalto, versus Lula).

Eu gostaria de ser posto à prova, ter a chave do cofre sob a minha guarda, ter uma posição de poder, ter brigado com "o" figura e precisar dele para concretizar meus planos de ampliação de influências. Sei que sou honesto para pequenas quantias, mas para arrebentar o cartão corporativo, fazer a farra do avião, andar com dólares na cueca, fazer pacto com o diabo, nunca fui testado.

Por isso é que vejo todo mundo xingar todo mundo, o Lula ao Sarney, o Lula ao Collor, o Collor ao Lula, para ficar apenas nessas figuras, e hoje comem todos à mesma mesa. Pior, ninguém se pergunta o que há por trás desses fatos, aliás, ninguém pergunta nada, apenas acham que o presidente é um tio simpático, que tem a mania de ser engraçado. Abaixo, tirando sarro do Bush, fingindo jogar um sapato.

Ouça a entrevista do Lula no programa do Milton Neves:



Gostou? Então clica aqui e escuta mais!

No áudio, a opinião de Lula sobre Collor e sendo profeta de si mesmo. Curiosamente todos os arquivos que contêm a resposta de Collor a esse depoimento foram apagados. Vale ressaltar que com o apoio de Sarney e a anuência de Lula, o senador Fernando Collor assumirá o comando da Comissão de Infraestrutura do Senado, que irá acompanhar e fiscalizar obras do PAC, tendo vencido a disputa com Ideli Salvatti, líder do PT até este ano. E ninguém pediu perdão a ninguém pelas más palavras.

E você, tem facilidade para reatar amizades quebradas, espezinhadas, ou acha que tudo são flores?

Antiguidade é posto ou, Não me peça para ler seu blog

Her father loved me, oft invited me,
Still question'd me the story of my life
From year to year, the battles, sieges, fortunes,
That I have pass'd.
I ran it through, even from my boyish days
To the very moment that he bade me tell it:
...........................................
...........................................

She loved me for the dangers I had pass'd,
And I loved her that she did pity them.
This only is the witchcraft I have used.
Here comes the lady; let her witness it.
William Shakespeare

O pai de Desdêmona havia acusado Othelo de ter seduzido e enfeitiçado sua filha.
Chamado à presença do Duque, Othelo se defendeu dizendo que o pai da moça gostava dele e frequentemente o convidava para contar a história de sua vida. E ele falou sobre as batalhas, as emboscadas, os sucessos que tinham acontecido ano a ano. Ele lhe contou fatos, desde a mais tenra idade, até o justo momento da entrevista.
Muitas coisas terríveis Othelo contou e Desdemona, nas folgas dos seus afazeres domésticos, devorava seu discurso. Ela jurou que seu relato era estranho, muito estranho; era patético, impressionantemente patético. E ela disse que lhe ficaria agradecida e solicitou que, se ele tivesse um amigo que a amasse, bastaria ensinar-lhe a contar essa mesma história e isso a conquistaria. Então Desdemona amou Othelo pelos perigos a que ele se viu submetido e ele a amou por sua misericórdia. Foi essa a feitiçaria que o mouro usou para conquistar a moça. Depois disso ela começou a seguí-lo no Twitter, entrou para o seu Orkut e começou a ler os seus blogs.

Há algum tempo entrei no blog de uma garota poderosa, dessas como há em quantidade na internet, com centenas de milhares de visitantes. Um sem noção, blogueiro novato, nos comentários lhe sugeria uma parceria e pedia que ela colocasse seu link no blog e o avisasse para que ele pudesse colocar o link dela. Eu ri muito. Ela reagiu:
- Escuta, não seria o lógico você colocar meu link primeiro e me avisar?
Há quem pense, verdadeiramente, que a montanha irá até Maomé.

Na rede social diHITT há um sistema de comunicação usual entre os membros da comunidade. Lá se dão as boas-vindas ao novo amigo, deseja-se um bom fim-de-semana, dirime-se uma dúvida qualquer mas muitos se limitam a pedir apenas uma visita ao seu blog. Quando um leitor diz que gostou do blog ou faz qualquer outro tipo de elogio ao blogueiro, no meu caso vejo que é uma coisa espontânea, vinda do coração. Mas aquela apelação: "eu vou estar sempre aqui" é desnecessária.

Nos blogs acontece mais ou menos como na vida em sociedade - visite para ser visitado. Quando nasceu minha filha mais nova um amigo ficou de ir visitar o neném, que já está com 30 anos de idade. Por que eu continuaria a visitá-lo? Por falar nisso, já acendeu uma luz vermelha para mim; tenho feito poucas visitas aos meus amigos e já senti que a frequencia aqui diminuiu bastante. Preciso reagrupar minhas assinaturas e visitar um grupo por dia. Não é só colocar chamadas no Twitter, no diHITT e em outras redes sociais, o importante é visitar, é ouvir o discurso do Othelo, prestar atenção em suas histórias, procurar visualizar os lugares maravilhosos que ele descreve, aprender com suas lições de vida e deixar uma mensagem em resposta a tudo que foi lido.
Não vejo motivos para visitar um blog que simplesmente me pede para fazê-lo.

Concluo deixando a seguir, como agradecimento, a relação dos 10 blogs ou sites que mais nos têm visitado:

Não é um post, é uma colcha de retalhos, por isso tantas tags

Começo falando do Babylon. Fui procurar complain about e recebi o English-English, o English-French e a tradução para o russo. Esses são os idiomas com os quais costumo flertar, sem ter intimidade com nenhum deles; e o Babylon sabe disso. No entanto sua tradução é meio de índio: "mim procurar tradução essa"... Nesse particular prefiro o Windows Live Translator, sua tradução é menos linguagem de robô... ou de índio. Uma inconveniência - todas as traduções são de e para o inglês, exceção feita, naturalmente, para o inglês-português e francês-alemão. O Babylon não precisa ser informado, ele reconhece qual o idioma do texto a traduzir. O Babylon vale cada centavo pago por ele. E, puxa, eles bem que podiam me dar uma cópia por esse comercial grátis que estou fazendo, "sem nenhum interesse", a não ser o de fornecer uma informação de utilidade para os leitores.

Quando, na Roma antiga, começaram a aparecer os problemas sociais, para desviar a atenção da população criou-se a política do Pão e Circo. Houve entre nós um tempo em que o pão era caro e o circo era fraco; a seleção brasileira de futebol, escalada para fazer a população esquecer as agruras do dia-a-dia, não ganhava de ninguém. Se hoje a seleção de futebol ainda não tem a confiança dos brasileiros pelo menos chegou-se a um consenso quanto ao pão. Diz-se que em 2010 o Bolsa-Família atenderá a um em cada três brasileiros. A paranóia do futebol não foi descartada; deslocou-se para o âmbito regional, Flamengo no Rio e Coríntians em São Paulo, para ficar nesses dois. O "script" funcionou com precisão cirúrgica - vista grossa dos juízes para os pequenos pecados do time da "casa", a lei (cartão amarelo) para o "adversário". Logo na primeira rodada do Estadual o Flamengo teve um gol contra si anulado pelo bandeirinha que alegou impedimento do adversário, quando haviam TRÊS jogadores do time carioca dando condição. Consta que em São Paulo também rolaram algumas lambanças.

Definitivamente estou viciado no Twitter. Sigo quem acho que pode me acrescentar alguma coisa e não fico aborrecido se eles não me seguem; por outro lado alguns me seguem mas não serão seguidos. Vida bandida.
Existem muitos sem noção no Twitter. Seguem a mil e são seguidos por menos de cem, às vezes têm pouquíssimas atualizações. Então para que querem ser seguidos?
Estou em http://twitter.com/lulasi. Faça seu cadastro, é muito fácil, e comece a me seguir.
Para que serve o Twitter? Para indicar links, para enviar mensagens para as pessoas, públicas ou privadas, para se conectar com pessoas que tenham interesses comuns conosco

Quanto vale?

Haroldo P. Barboza é analista de sistemas (aposentado), dá aulas de Matemática (fundamental) e Informática (para adultos); dá palestras sobre qualidade de vida e é viciado em escrever. Não faz concessões a tabagistas. Hoje ele enfoca a falta de objetividade dos jovens, que não procuram seguir as práticas dos mais velhos, jovens que sempre apresentam falsas justificativas. É como diz aquela conhecida música: "Eu bebo sim, estou vivendo, tem gente que não bebe e está morrendo..."
Tudo exposto de um modo claro e bem didático. Só não cheguei a entender se sua alusão a operários que perdem dedos na indústria se refere a algum operário em particular...

Por quanto quer comprar?

Se conselho fosse bom, não se dava. Vendia-se. Esta afirmação é mais antiga do que andar para frente.

Esta frase é o argumento que uma pessoa usa para criar um obstáculo entre ela e um amigo que pretenda lhe passar alguma orientação. É claro que nem tudo que recebemos de orientação é a expressão integral da verdade, pois cada fato está sujeito a muitas variáveis. No entanto não custa nada ouvir, filtrar, experimentar e adaptar alguns dados que podem ser úteis para uma existência com menos atribulações. Já bastam as situações de alta pressão das quais não conseguimos nos livrar, causadas pela competição agressiva diária e pelos elementos nocivos reinantes na natureza que agridem nossa sobrevivência por não sabermos conviver com eles.

O estilo de vida ocidental criou um distanciamento entre gerações onde o jovem naturalmente impetuoso, se deixa levar pela propaganda que o impele a tentar realizar o maior número de projetos com pouco planejamento (depois a gente vê como fica), parcos recursos (depois a gente faz um gatilho) e em tempo curto (amanhã mesmo já estará dando resultados). Neste cenário, seus ouvidos se fecham a algumas orientações que lhes são passadas pelos mais antigos da família. Alegam que hoje os tempos são outros. Esquecem de um pequeno detalhe: mudaram os equipamentos e as fórmulas para atender as novas necessidades, mas as características humanas são as mesmas de 100 séculos atrás (experiência, preguiça, inveja, inocência, ganância, pressa, etc).

E esta distância aumenta se o jovem deixa que sua perseverança ultrapasse os limites e se transforme em teimosia. Vejamos se a diferença básica pode ser compreendida com os exemplos abaixo.
Perseverança – quando uma pessoa se determina a adquirir um bem ou realizar um projeto, mesmo que seja algo inédito, ela terá como base estudos e práticas anteriores de outros que já fizeram algo igual ou bem parecido (se tiverem falhado, darão maiores subsídios). A perseverança não permite que ela desista de seu objetivo mesmo que um acidente de percurso ocorra. Se uma prateleira fixada na parede desaba por ter uma sustentação fraca para o peso mal calculado depositado sobre ela, o perseverante não se abate. Refaz a parede lascada, monta uma sustentação cinco vezes mais forte e realiza seu projeto. Se no ato não tiver meios para trocar a sustentação, coloca um aviso provisório alertando sobre o máximo de carga que a prateleira pode suportar no momento. E desta forma age para construir suas “estantes” para guardar seus “tesouros” de vida. E com o tempo atinge seu projeto com sucesso. E sente orgulho por ter superado os obstáculos paulatinamente com equilíbrio.
Teimosia – quando uma pessoa esclarecida coloca sua vida ou saúde em risco apesar de todos os alertas recebidos, demonstra uma falsa atitude de personalidade forte, que “não se deixa influenciar por opiniões alheias”. Não é vergonha declarar que apesar de tantos anos de vida aprendeu algo novo, até mesmo com alguém mais jovem. Um menino que trabalhou no campo dos 6 aos 20 anos, certamente terá boas condições de orientar um técnico em agropecuária que obteve um diploma na cidade aos 25 anos. Se uma pessoa fuma e alega que o tio morreu aos 90 anos fumando dois maços por dia, usa um argumento frágil, pois desconhece os prazeres perdidos pelo tio, as doenças que ele adquiriu, as dores que sentiu, os gastos que teve com médicos e remédios. Não há uma planilha arquivada sobre a qualidade de vida deste tio para ser consultada. E assim o teimoso segue impávido e de nariz empinado condenando seu pulmão (e outros órgãos) à falência em vida.

Carregar peso desnecessário quando nossas forças estão no auge, terão reflexos dolorosos na coluna depois dos quarenta anos, quando o esqueleto começa inclinar.
Escrever sobre dezenas de páginas com lápis (para ler depois é pior ainda) à noite provocará reflexos irrecuperáveis nos olhos depois dos quarenta anos.
Dormir diariamente menos de 4 horas certamente afeta os reflexos (por isto motoristas batem nas estradas e operários perdem dedos na indústria), reduz a memória, retarda o raciocínio. Isto ocorre em qualquer idade.

Os deslumbramentos com o namoro (principalmente sendo o primeiro) nos conduzem a atitudes desaconselháveis, quase irracionais. Quando dois namorados deixam de se ver por 3 meses, é possível entender uma conversa telefônica semanal de 90 minutos para colocar as novidades em dia. Quando se encontram 2 vezes por semana, 10 ou 15 minutos não bastam?

Numa semana de provas ou de trabalhos delicados na firma, estes encontros semanais devem ser reduzidos (não chegamos a sugerir suprimidos) de 6 para 2 horas. Tal atitude não deve ser encarada como sacrifício. É um investimento para que num futuro não distante sejam criadas condições para que os encontros passem a ser mais freqüentes e em maior tempo.

Neste texto, não existe fórmula mágica. E estas palavras não estão editadas aqui com o objetivo de suprimir liberdades, desvalorizar ações próprias, revelar a verdade total nem de forçar condutas. São meros relatos sinceros de quem já passou por algo similar (até absorveu e aplicou algumas das dicas recebidas). Certamente centenas de milhões de pessoas disseram isto nos últimos 77 séculos e alguns milhões dizem hoje pelo mundo a cada minuto.

Resta saber pelo menos quantos escutam e compreendem.

Se desejam experimentar em suas próprias vidas é outra questão.