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Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

Elevando o rebaixamento

Rebaixamento é a base para o "elevamento"

Nesta crônica Haroldo Barboza traça um paralelo entre situações negativas no esporte e na política. Tenho a observar que no esporte essas ocorrências são transitórias e circunstanciais; na política é endemia sem prazo de vencimento. E o Haroldo escreve com propriedade e experiência pois é um apaixonado tricolor cujo time já transitou, há algum tempo, nessas esferas mais sofridas do purgatório.

A queda do Vasco em 2008 para a 2ª. divisão, como a de tantas outras honrosas agremiações, pode ser comparada com a queda de qualidade de vida de nosso povo.
O fato não decorre de um único ato numa última partida, um gol perdido ou um impedimento mal marcado. Ele é construído ao longo de sucessivos erros acumulados durante anos pelos vários setores que compõem a sociedade esportiva ou civil.
Administradores que se eternizam no poder visando seus interesses próprios e que efetuam contratos suntuosos no momento, mas com graves prejuízos no futuro para a entidade que eles representam eventualmente.
A seguir vem a falta de fiscalização por parte dos conselhos fiscais e administrativos dos clubes cujos membros estão interessados nos almoços semanais, freqüência em festas e livre acesso para familiares a amigos. Em paralelo, na esfera pública, ocorre a omissão de ministérios, secretarias, autarquias e "agências" que apenas visam as mordomias de seus condutores concedidas sem merecimento, por normas indecentes.
Depois atrelamos a este cenário confuso a falta de pagamentos regulares a funcionários, atletas e impostos diversos que criam dívidas que comprometem seus patrimônios. Na área pública, por analogia, encontramos professores, médicos e policiais com vencimentos defasados e atrasados. A corrupção se instala em todos os níveis e o caos financeiro rompe os orçamentos das obras sociais.
Jogadores sem qualificações são empurrados para o clube por empresários que os desejam numa vitrine de exposição mundial. E os torcedores pagam ingressos caros para vê-los. Na esfera pública, contratos lesivos sem licitação elaborados por incompetentes são colocados no colo do povo que paga a conta e não possui arquibancadas para montar uma sonora vaia.
Dirigentes esportivos perdoam atletas que se atrasam para os treinos, que são apanhados embriagados em boates e são expulsos dos jogos por banalidades trazendo prejuízos à equipe. Da mesma forma que a impunidade concede méritos aos administradores públicos que torram nossos impostos com suas vaidades.
Resta às torcidas apaixonadas manifestarem sua indignação sem violência (existem várias formas) contra tais dirigentes para bani-los do cenário esportivo. Da mesma forma o povo pode exterminar as ratazanas que poluem nossos gabinetes públicos.
Existe mais uma dezena de comparações, mas o árbitro me deu um cartão amarelo e os deixarei para uma próxima jogada.
Durante o ano em que permanece na 2ª. divisão, um time grande composto por 10 ou 30 milhões de torcedores, sofre com a situação mas tem a esperança com data marcada para despertar do pesadelo passageiro.
Durante as dezenas de anos que o nosso país vive no "quinto mundo", a população de mais de 150 milhões de agoniados padece pelas precárias condições de vida. E não enxerga a data em que a esperança fará um gol a nosso favor!

2 comments:

8 de dezembro de 2008 17:29 Ricardo Rayol disse...

Bom, não deixa de ser um ponto de vista otimista e um consolo... epa, perái, consolo não aquilo fálico? (ahahahaha desculpe meu amigo mas foi irresistível, acima das minhas pobres e combalidas forças)

8 de dezembro de 2008 19:27 Lerdo em Surtar disse...

Quando a esfera é pública, o princípio é o mesmo que no futebol - ou seja... vai rolando e empurrando a coisa, porque tudo quanto é “esfera” rola bem quando se chuta bem. No futebol, temos dois tempos de 45. Na política, se for no Poder Executivo, dá para conseguir dois mandatos de 4. Também, é característico do futebol o técnico ser carinhosamente chamado de professor. Já nos cargos dos poderes executivos cresce a quantidade de professores, predominando o rebaixamento – este sendo condição para o levantamento do sujeito para uma melhor divisão, cabendo uma subdivisão a depender da campanha e do saldo de engodos.

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