Lugar_RSI

AvatarLugar do Real, do Simbólico e do Imaginário
Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

Jeito novo de dizer coisas velhas

Duas manchetes ocasionaram este post.
Primeira - Evo recusa a mediação do Brasil e deixa Lula irritado. Mas é claro, Lula quer viajar no seu índice de aprovação e o Evo Morales jogou água no seu chope. Já no episódio do resgate da Ingrid Betancourt Lula perdeu uma grande chance de se projetar na América Latina, mas não quis desagradar as FARC, parceira no Foro de São Paulo.
A outra notícia é sobre o recorde histórico do índice de aprovação de Lula, o que me faz acreditar que o Brasil não tem solução, estamos descendo a ladeira. Estamos entregues a uma horda de analfabetos e de oportunistas. Por certo, quem aprova Lula e não é analfabeto, tem tudo para ser oportunista, é um dos companheiros.

A imprensa resolveu, agora, que todo recorde tem que ser histórico, o que é uma evidente bobagem. Alguém me diga a diferença entre recorde e recorde histórico. A diferença está apenas no grau de pavonice, relativo a pavão. Mas a palavra pavonice não existe, melhor seria dizer pavoneamento. Reparem que eu não falei em parvoíce, mas o termo bem que podia ser empregado.

O brasileiro dá a vida na arte da imitação, da macaquice, e o rádio e a televisão contribuem para isso. Não há comercial onde não te peçam ou comuniquem o telefone DE CONTATO. Pelo que sei outra não é a finalidade do telefone a não ser contatar as pessoas. Mas é muito inteligente dizer telefone de c-o-n-t-a-t-o.
Se algum dia eu for entrevistado na televisão eu vou falar tudo aquilo que os famosos vomitam lá com pose de intelectuais, começando com o termo "gratificante", "prazeroso" e que tais. Só uma coisa não gosto e me policio no sentido de evitar - é o paroxítono arrastado. Pode até ser acentuada uma outra sílaba, mas a preferida é o paroxítono, para ver se pega no tranco. Reparem que, do Oiapoque ao Chuí, todos se demoram no paroxítono. Por repetitiva, essa maneira de falar se torna enfadonha, pelo menos para mim. Há quem goste. Quando ouço no rádio um programa onde o entrevistado se esmera no paroxítono eu até mudo de estação.

Quando eu escrever alguma coisa errada aqui, em relação ao idioma, podem cair de pau em cima. Eu, humildemente, riscarei a palavra errada e a substituirei pela correta. Só não vou abdicar do direito de eriçar os cabelos à vista ou audição de certos equívocos. Ainda ontem eu ouvia um programa esportivo e o bravo jornalista dizia que o jogador Fulano, recém-contratado, e que iria estrear, estava em completa ansiosidade. Muito justo, ele estava ansioso então estava com "ansiosidade". Entrou a entrevista com o jogador e em off alguém advertiu o jornalista: - Cara, você falou, no ar, uma grande merda.
Ao final da entrevista ele voltou a se referir ao jogador e disse que este estava com grande ansiedade, e vida que segue.

E a conjugação do verbo optar? Aquele cidadão dizia: - Não tem problema, você OPÍTA (acento no i) por trabalhar mais um ano.
Esse cidadão também optou por aprovar o governo Lula. Há pessoas que pecam pelo excesso. Para mostrar erudição empregam o "s" onde ele não cabe. O Lula, ao contrário, é um emérito comedor de esses e de erres. Petóleo - não há jeito de dizer petróleo. Segundo o José Simão, ele tem a língua presa.

Mas eu também tenho meus problemas, às vezes não acho o termo correto ou a locução adequada, então opíto (êpa) opto por um sinônimo ou uma expressão equivalente. Mas não chego a fazer como o dirigente paulista Mendonça Falcão, que também trabalhou na antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos):
- "A reunião será na sexta-feira", disse, ditando um memorando à secretária.
- "Dr. Falcão", esta lhe indagou, "como se escreve sexta-feira"?
E ele, dirigindo-se a um outro subordinado: - Demitam essa incompetente e vamos fazer a reunião na quinta-feira.

5 comments:

12 de setembro de 2008 16:36 Lerdo em Surtar disse...

Esse povo parece mesmo estar se acostumando com os poucos predicados do sujeito (Lula). E a imprensa já vai arrastando novos paroxítonos para dar suas manchetes, mas tem que ser algo assim... "histórico". É um neo-lulês jornalístico que vem por aí. Com isso, quem sabe o que pode acontecer com o idioma? Em bom lulês, o telefone de contato pode até ser o "paroxítono" - que seria aquele... da paróquia lá do cafundó!

12 de setembro de 2008 16:44 Lerdo em Surtar disse...

E antes que eu pareça ter transformado "histórico" em paroxítono (no lugar do recorde), os países vizinhos vão mesmo precisar do Lula? Veremos no próximo capítulo dessas trapalhadas dos "cumpanhêrus".

12 de setembro de 2008 20:56 Adao Braga disse...

Estão reescrevendo a história do Brasil. Também estão reescrevendo a história de todos eles. Agora são todos heróis, heroínas, combatentes, militantes, ex-exilados, perseguidos políticos provando que se eles tivessem conseguido o poder naquela época, hoje, a potência mundial seria o Brasil.

Como intriga da oposição:

Eu tenho quarenta anos, o meu primeiro voto, foi em 1988, e desde esta época, nunca, nem para vereador respondi uma pergunta de pesquisa eleitoral.

Mas, por diversas vezes atendi as Testemunhas de Jeová na porta.

Quanto a escrever corretamente, e falar, eu me policio, mas, tenho que admitir que não sou bom na matéria, quem me salva são os corretores ortográficos e os dicionários. Caso contrário, seria pior!

13 de setembro de 2008 08:33 mara* disse...

Parece que a ufanista companheira, ave de bela plumagem, resolveu caminhar com soberba pelo reino unido e cochichar aos editores da 'The Economist': o Brasil, antes notório por seus extremos, é agora um país de classe média. Vaidosa, ainda lembrou que a nova classe está podendo pagar, em suaves prestações, por cirurgias plásticas, prática tão popular por aqui. Apenas você, sr. Lailo, ingrato que é, não reconhece todas as benemerências dos companheiros.

beijos

13 de setembro de 2008 10:41 ZEPOVO disse...

Então quem vota no Lula ou é analfabeto ou oportunista.
Devem estar todos errados, a maioria ao menos, mas isto se explica porque não sabemos nem falar nosso idioma, e na verdade seu sonho secreto é uma democracia onde o voto seja discursivo.
Qual parte da democracia vc não percebe???
Quanto ao resultado histórico da pesquisa podemos dizer que foi muito prazeroso e gratificante, mas conseguido com muita humildade...
esquenta não, nosso Brasil vai bem, pelo menos muito melhor que antes, e se foi Lula, apenas um operário meio tosco, o líder que o destino escolheu para finalmente o Brasil chegar ao futuro, isto apenas explica o que o povo sabe desde sempre:
O Brasil é um país diferente e especial!

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