Lugar_RSI

AvatarLugar do Real, do Simbólico e do Imaginário
Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

O rato do campo e o rato da cidade

Vocês sabem que o rato do campo tem características diferentes do rato da cidade? Mas no tocante a motoristas não sei se há diferenças entre o urbano e o rural.
Ontem vinha eu cortando matas e plantações quando vejo a placa "Perímetro Urbano" na localidade chamada Avelar, conhecida pela comemoração anual da "Festa do Tomate" no município de Paty do Alferes. Da única rua transversal à estrada saiu um carro um pouco à minha frente e quando eu pensava que ele ia seguir, a motorista, sim, a motorista fez o tradicional balão e voltou para a rua de onde tinha saído. Singular manobra. Tive de frear para não amassar toda sua lateral. Pode parecer discriminação com a mulher motorista mas eu não abandono minhas orações: "Mulher no volante, perigo constante".
Não sei como são as ruas de muitas cidades brasileiras mas tenho a impressão de que o Brasil é um imenso quebra-molas. Em Avelar, naquele trecho da estrada, numa extensão de uns duzentos metros, há cinco quebra-molas. Num povoado próximo, Granja Califórnia, acho que é o nome, há oito quebra-molas.
Para se cruzar Mendes são quinze lombadas, na estrada próxima a Paulo de Frontin são oito obstáculos. Aqui em Nilópolis, onde moro, em todos os cruzamentos há quebra-molas, eufemísticamente chamados de redutores de velocidade. Bloquear um carro é fácil, difícil é bloquear a mente mal-educada ou retardada de um motorista.
Ontem, quando chegava perto de casa, da minha viagem, quando escapei da "mautorista" em Avelar, estava ultrapassando um dos milhares de quebra-molas da cidade. Um automóvel estava chegando no cruzamento pela transversal à minha direita e parou. Segui minha direção despreocupado, mesmo porque a rua em que eu estava tem dez vezes mais movimento que quase todas as outras, é, por assim dizer, a preferencial. Porém, de repente, não mais que de repente, o motorista teve um surto de Barrichelo e atravessou rápido à minha frente.
Mais uma vez tive que frear forte para não arrebentá-lo. Só tive tempo de gritar-lhe um porra e um caramba, este um eufemismo que uso para outra palavra mais agressiva.
É assim todos os dias, avanços de sinal, tomadas em curva feitas pela contra-mão, obstrução dos cruzamentos quando o sinal está aberto para a transversal, um inferno... E onde estão os guardas municipais para botar ordem na zona? Ninguém sabe.
Não falei das ultrapassagens absurdas feitas nas estradas, à noite, de madrugada, com nevoeiro, com chuva, com o risco da própria vida. E 99% desses motoristas são homens. O que eu condeno nas mulheres que dirigem nas estradas, por absurdo que possa parecer, é a cautela exagerada. Isso também pode redundar em acidentes. Há estradas, não sei se no Brasil, onde se estipula uma velocidade mínima.

Cheguei ao fim do post e não escrevi aquilo a que me propunha - um poema de um Dom Ratão urbano zoando uma bela Camundonga do campo, roedores, para ficar no espírito do título.
Leiam este assunto num post a sair, a qualquer momento, neste mesmo batcanal.

4 comments:

3 de maio de 2008 10:12 Lerdo em Surtar disse...

Carro é sinônimo de divã psicanalítico, no Brasil.
O volante é um lugar onde se pode extravasar todas as manias, com destaque para as de "superioridade".
A estrada é um lugar onde se deve levar vantagem, medir força e estabelecer quem é que manda.
Aliás, tenho que parar por aqui (digo: prosseguir) porque preciso ultrapassar alguém.

3 de maio de 2008 12:49 Adao Braga disse...

Inspirador é este transito:

http://www.youtube.com/watch?v=oax8JPs68xQ

Aqui em Irecê, estivemos quase assim. Hoje tá um pouco melhor!

4 de maio de 2008 20:28 Ricardo Rayol disse...

e é assim pelo Brasil todo

5 de maio de 2008 08:29 Luiz Lailo disse...

Adão, você há de convir que o trânsito aí é muito organizado. Os motoristas são de uma perícia e sangue frio à toda prova, todas as manobras feitas com um mínimo de risco.
Onde é isso? Na India certamente que não, pois faltam os elefantes, os camelos e as vacas sagradas.

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