Lugar_RSI

AvatarLugar do Real, do Simbólico e do Imaginário
Aqui não se fala dos conceitos de Lacan e a palavra lugar deve ser pensada em sua definição matemática

A pátria de chuteiras

Na Copa de 70 cada gol da seleção brasileira parecia gol do meu time. Eu vibrava desesperadamente. Depois entendi que a política comandava o futebol. O general da vez era Emílio Garrastazu Médici, o "garrafa azul", criador do "Brasil, ame-o ou deixe-o". Fugir passou a ser a única alternativa para muitos militantes de esquerda. Eu não era militante mas simpatizava com a esquerda. Alguns de meus amigos foram dar um tempo na Bolívia, outros acharam melhor abandonar a Faculdade de Direito, outros voltaram para o interior do país, para a roça. Eu me contentei em deixar de torcer para a seleção nacional, uma das vitrines da Redentora, e eu torço contra até hoje.

Um amigo me disse: não adianta torcer contra, eles são muito bons. E é verdade; o Brasil tropeça às vezes frente a times furrecas mas se agiganta contra as feras. Vejam com que facilidade ganhou a Copa América deste ano na Venezuela. Não houve Argentina que desse jeito. Mas na Alemanha... na Alemanha nas quartas-de-final contra a França houve o gol de Thierry Henry, que por sinal, é vascaíno, e o Lula foi impedido de participar do Samba em Berlim (filme de 1943) nem assistiu a Berlim na Batucada (filme de 1944). Na verdade nem teve tempo de armar seu palanque alemão para as últimas eleições.

Em 1982 me diverti muito. Assistia ao jogo em casa e ao lado crianças brincavam no corredor, servidão da vila vizinha. A cada gol do Paolo Rossi eu explodia com gritos de "goool". E as inocentes criancinhas, ao me ouvir, achavam que era gol do Brasil e também gritavam desesperadas. Peço desculpas pelas crianças. Até hoje não devem ter entendido o que estava acontecendo.

Desde ontem está aberta a Temporada de Caça às glórias fátuas; após 64 anos o Brasil será novamente sede de uma Copa do Mundo.
Eis o trecho de um editorial do Estadão:
Há uma medida nas coisas, existem certos limites - especialmente para os que governam, diríamos. Eis por que chega a beirar o ridículo - para dizer o menos - a revoada governamental brasileira, de 1 presidente da República, 12 governadores de Estado e 2 ministros, transportando-se todos para a Suíça, no momento em que a Fifa oficializa o Brasil como sede da Copa de 2014. Certamente, nunca antes na história da Fifa houve algo parecido.

Pelé e Zico não fizeram parte da comitiva porque não são da patota da CBF. Romário, tudo bem, mas alguém sabe me dizer o que estaria fazendo lá o "mago" Paulo Coelho? Foi tirar algum parente seu da cartola?

Alguns governadores foram a Zurique para definir suas candidaturas à Presidência em 2010; outros, para fortalecer suas posições ou conquistar novas. E o Lula, que foi fazer lá? Um discurso chinfrim? Foi cantar suas glórias nunca antes neste país (esse monocórdio cansa), ou foi simplesmente mirar seu alvo em 2010 ou 2014?

Quem inventou esse negócio de pátria de chuteiras foi Nelson Rodrigues. Ele tinha também, entre várias, uma tirada célebre: "Toda unanimidade é burra". Ele mesmo não era dono de uma unanimidade. Nem eu. Mas enquanto a política quiser se prevalecer da paixão popular pelo maravilhoso futebol do Brasil para tirar proveito eleitoral, eu lhes digo: ESTOU FORA, FORA DE CORPO E ALMA!

Troque seu cachorro por uma criança pobre

O acusado de matar ativistas franceses foi condenado a 59 anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro. A sentença para Társio Wilson Ramirez, de 25 anos, foi proferida no final da noite desta terça-feira pelo juiz Sidney Rosa da Silva, do Terceiro Tribunal do Júri, após cerca de dez horas de julgamento.
Os três franceses eram ligados à ONG Terr'Ativa e foram mortos a facadas por terem descoberto um desvio nas contas da instituição.

Há ONG no meio eu torço o nariz. Porém, nesse caso, fez-se a coisa correta. Não é uma Não Governamental de petistas a mamar nas tetas do Governamental. Vi no Faltz MultiBlog uma relação de firmas e particulares, franceses e brasileiros, que são mantenedores da entidade. Um deles é o jogador de futebol Juninho Pernambucano, "padrinho" desde 2005.

Essa ONG desenvolve atividades e projetos na área educacional desde o ano 2000, em favor, principalmente, dos jovens e das mulheres das comunidades desfavorecidas do Rio de Janeiro. Porém um desses jovens, o Társio, admitido na Terr'Ativa como funcionário, ocasionou a tragédia.

Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada "sua-mãe"

Seguir o que preceitua o Rock da cachorra, do Eduardo Dusek - trocar o cachorrinho de estimação por uma criança pobre, é muito complicado. Lembro-me agora de um filme que apresentava uma jovem oriental adotada por uma família. Seu caráter, que nenhuma câmera poderia revelar, foi detectado por um desenhista que lhe fez o retrato. Mas ele não tinha chegado a nenhuma conclusão sobre algum desvio de conduta da garota, até o dia em que ela sacou uma arma diante de todos, seu rosto perdeu a meiguice habitual, mostrando ódio e revolta pela humanidade, pela sociedade cuja ponta visível era aquela família. Não me lembro do final da história. No caso dos franceses foi trágico.

Para amenizar o clima pesado deste post fui espairecer nos comentários de um blog sobre essa música do Dusek.

* Só não entendo a neura com os cachorros. Ninguém propõe 'troque seu carro por uma criança', e carro custa bem mais que cachorro, e ainda polui. Ou 'troque sua cerveja no fim da tarde por uma criança'. Eu acho que essa gente precisa colocar uma cueca e ir trabalhar.

* Se preocupar com esse tipo de coisa é coisa de viado. "Lembrar" que se vive em sociedade é coisa de comunista. Viado e comunista, pobre alma.

* Sou a favor de um programa governamental que financie a construção de restaurantes com cardápio coreano. Não obstante, a força aérea deveria bombardear as vilas com camisinhas e pílulas.

* Uau! vou agora mesmo trocar meu afganhound por uma autêntica "poor brazilian child"!

Águas passadas movem moínhos ou Revisitando velhas idéias

Há coisas que ficam para depois; você promete fazer, esquece e não cumpre. Escrevi o artigo Você fala espanhol ou seu português é ruim assim mesmo? e ficou faltando algum detalhe.
Há pessoas que apresentam um post curto e fazem o maior sucesso. Um blog deveria ter a média de vinte linhas, no máximo, para não aborrecer o leitor. Uma grande história atrelada ao poder de concisão do autor. Mas eu estou mais para Marcel Proust, aquele do Em busca do tempo perdido, romance que fê-lo passar à posteridade dando-lhe também o rótulo de prolixo. Não conhecem seu estilo? Vi numa página de humor um recente caso da política brasileira tratado no estilo de diferentes escritores. Vejam:

À moda MACHADO DE ASSIS: "Foi petista por 25 anos e 100 mil dólares na cueca."
À moda DALTON TREVISAN: "PT. Cem mil. Cueca. Acabou."
À moda GRACILIANO RAMOS: "Parecia padecer de um desconforto moral. Eram os dólares a lhe pressionar os testículos".
À moda RIMBAUD: "Prendi os dólares na cueca, e vinte e cinco anos de rutilantes empulhações cegaram-me os olhos, mas não o raio-x".
À moda ÁLVARO DE CAMPOS: "Os dólares estão em mim. Já não me sou mesmo sendo o que estava destinado a ser. Nunca fui senão isto: um estelionato moral. Na cueca das idéias vãs".
À moda DRUMMOND: "Tinha um raio-x no meio do caminho. E agora José?"
À moda PROUST: "Acabrunhado com todas aquelas denúncias e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como os últimos, juntei os dólares e elevei-os à cueca. Mas no mesmo instante em que aquelas cédulas tocaram a minha pele, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente às vicissitudes da vida, inofensivos seus desastres, ilusória sua brevidade, tal como o fazem a ideologia e o poder, enchendo-me de uma preciosa essência."

Viram como é o estilo Proust? Descreve a paisagem, as pessoas, os fatos, as sensações, nos mínimos detalhes. E ainda deixa dúvidas ao leitor.

Eu dissera que minha avó falava "entonce", que era o "entonces" espanhol; mas eu não achava o correspondente para o "desna" dela. Achei "désna" no blog Parente da Refóias. O dono desse blog me visitou, agradeceu a referência que fiz a ele mas discordou de mim dizendo que désna não era espanhol, nem precisão. Mas eu não falei isso, tanto que fiz a comparação com a Região de Monchique. Coloquei a palavra precisão na fala de minha avó porque era de seu uso corrente. Nem reparei que também se usa no Monchique. Então (atão, dessa manêra) descobri palavras assemelhadas em Pernambuco (Bom Conselho) e em Monchique. Más a más - ainda por cima, além disso. Lá em casa era usado de mais a mais, como conclusão de uma questão acalorada. Mangar - zombar, usado com o mesmo sentido. E muitas outras.

Conclusão: há o espírito dos idiomas pairando pelos continentes. Algum vestígio restou entre os povos após a derrocada da Torre de Babel e a dispersão desses povos pela face da Terra. Ou quem sabe algumas famílias de Monchique foram para Pernambuco?

Há diversas palavras em russo que não necessitam de tradução para o português. Escrevem-se rigorosamente da mesma forma. Em russo no alfabeto cirílico, é claro.
Outra peculiaridade: Ivan Ivanovitch é Ivan filho de Ivan; Piotr Fiodorovitch é Pedro filho de Fiódor. Em Pernambuco se diz Zé de Amâncio para se referir ao José filho de Amâncio.

Você conhece algum Tanaka?

Um amigo meu postou sobre judô. Uma mensagem direta. Sua foto em combate. Eu não fotografei. Vou ter que contar uma história pra vocês. Believe it or not.
Num quartel não há moleza pra seu ninguém. Na ginástica então... Não adianta levantar só a bunda. Eles estão olhando. Na flexão de braços há que levantar todo o corpo. E o cangurú? Não, não era o cangurú perneta. Esse, só o Gabriel Pensador sabe o que é. O cangurú era extenuante assim como os demais exercícios. A "física" era a primeira atividade do dia. Depois tomávamos banho e íamos ao café. E, acreditem, alguns suínos enforcavam o banho com a justificativa de que não tinham suado.
Esse esforço em jejum me fazia mal. Certa vez apaguei e tive que ir ao ginásio para ter uma massagem com fortes jatos d'água protegendo com as mãos os ouvidos e a genitália.
Talvez com 13 anos fui com meu pai à Bahia. Ele era caminhoneiro. Chegamos lá despontando o dia e ele resolveu, não sei porque motivo, dar uma passada numa praia. Muito cedo, sem café, comecei a desfalecer. Ele conseguiu um pouco de café num casebre próximo e eu me recuperei.
Acho que na mesma viagem, em Bom Conselho, Pernambuco, minha cidade natal, fui a uma missa muito cedo, também sem me alimentar. Senti a igreja girar. Me ampararam e um cidadão me enfiou rapé no nariz. Não cheguei a espirrar mas pelo menos recobrei a lucidez.

Então, quando anunciaram uma turma de judô para os cadetes, mais que depressa garanti minha vaga para fugir da suga do Sérgio Macaco. Esse oficial tinha uma história. Segundo ele, enquanto vigorava a Redentora de 64, lhe deram a missão de explodir o gasômetro do Rio de Janeiro para jogar a culpa nos "comunistas". Ele se recusou. Ele mesmo contou isso em uma reunião, quando ele foi candidato a deputado pelo PDT, reunião essa promovida por funcionários da Petrobrás. Também o atual prefeito do Rio, Cesar Maia, compareceu a uma dessas reuniões e deu uma aula de política. Foi eleito deputado pelo PDT. Acho que foi sua primeira eleição.

Vocês conhecem algum japonês chamado Tanaka? Eu infelizmente conheci. Era o instrutor de judô dos cadetes da minha turma. 90% dos Tanaka lutam judô. 90% de quem luta judô se chama Tanaka.
O local das aulas era o mezanino do ginãsio. Gelávamos ao ouvir o tléc-tléc de um tamanco subindo as escadas. Era o Tanaka. Ele nos incitava à luta dizendo: Ataka, ataka!
Era uma briga de gato e rato. Como atacar um japonês ensaboado? Ele insistia: Ataka, ataka! E se esquivava facilmente. Pegava um cadete após outro e deixava a todos mortos, procurando ar, recostados no muro do mezanino. Era bem pior que a suga do Sérgio Macaco ou do tenente Guaranys. E ria o tempo todo. Sádico além de tudo. Quando o japonês nos ensinava a jogá-lo ao solo era como derrubar um fardo de borracha. Sua caída era impressionante. Um dos fundamentos do judô é aprender a cair. Treinávamos isso exaustivamente.
Muito mais teria a contar mas o texto já está longo. Em poucos dias receberíamos a faixa verde mas não sei porque motivo interromperam as aulas de judô. Pra todos os efeitos segui dizendo que era faixa verde. Mas, por favor, não me apresentem a ninguèm chamado Tanaka.

Toda continuidade é odiosa e conflitante com a democracia

Sou um crítico mordaz da palavra democracia e ouso colocar o título acima. Na verdade sou avesso ao significado que dão à palavra democracia, ao uso particular que os sacripantas fazem dela.
É igualmente condenável quem quer ser mais realista que o rei, quem quer cultuar uma doutrina da qual o rei há muito abdicou. Certo esteve Roberto Freire quando mudou o nome Partido Comunista para Partido Popular Socialista. Mas restou o PCdoB. Fazendo o quê? Dando apoio ao democrata Lula.
Cuba está lá. Com a foice e o martelo. E o criador desses símbolos, a Soiuz Sovietskir Sotsialistitcheskir Respublik, já não tem como apoiar Cuba. Já se desintegrou. E Bush continua com o embargo criminoso de mais de quarenta anos contra o povo cubano. Fidel já solicitou timidamente que Bush dê fim a essa prática odiosa. E qual o preço? Nações não têm amigos, têm interesses, diz um dos primeiros mandamentos da escola que prega a diplomacia selvagem. Atribui-se a Churchill o enunciado dessa premissa da democracia. Talvez seja esse o preço cobrado pela implantação desse sistema em Cuba.
Toda continuidade é condenável. Perdendo a seriedade: Eurico Miranda é o ditador vitalício do Vasco. Ele nasceu há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que ele não saiba demais. Saaabe naaada! O Vasco perde ou, de vez em quando, empata.
Hugo Chavez pretende, qual Bolívar, ser o salvador da Venezuela e, qual Bolivar, ser o salvador de toda a América latina. Quer perpetuar-se no poder brandindo a bandeira do socialismo. Mas a ilustração deste post peguei em um blog da Venezuela, anti-Chavez. Lula está no pacote. Quer queira ou não Chavez é o dono da bola. E como seu guru Lula sonha com um mandato a longo prazo. E sua primeira providencia nessa direção é dizer que é contra. Para ser contra basta ficar calado.
Em seu programa Café com Bobagem com o Presidente Lula disse hoje que a carga tributária pode ser menor e que ninguém quer mais diminuir essa carga do que ele.
Aprendi quando jovem que o militar é superior ao tempo. Na vida militar aprendi inclusive a disciplinar meu organismo. Eu tinha hora para minhas necessidades fisiológicas.
Lula aprendeu muito mais; aprendeu que ele é superior a todos e a tudo. Sua ética é o melhor que se pode comprar no mercado, suas boas intenções, também. Apressou-se em condenar o movimento de continuidade que seus próprios acólitos propagam, seus subordinados, adredemente instruídos por ele. Já leram meu post, um pouco abaixo, intitulado Você sabe como capturar porcos selvagens? Abram o olho porque estão a fim de trancar a porta do chiqueiro.
Após 57 anos o Brasil vai sediar novamente uma Copa do Mundo. O governador do Rio, Sérgio Cabral, está em Zurique para a cerimônia em que a Fifa deve anunciar o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014. Nunca antes neste país.

Os mais lidos de 22 a 28 de outubro

Recebi de um querido amigo um email sobre Carmen Monarcha, de quem nunca tinha ouvido falar. Achei-a sensacional e resolvi publicar. O post é um sucesso de "público e crítica" no blog. Segunda semana em primeiro lugar.
Dia do Aviador - email do meu amigo Luzardo.
Eu adoro chocolate - está na relação talvez por ser uma das últimas postagens.
Já ouviu falar em língua bunda? - Essa deu o que falar. Um leitor, André Fernandes, num comentário, resumiu todo o artigo. Disse:
A origem da palavra "bunda", no sentido de "nádegas", vem exatamente dos Kimbundu. As mulheres (escravas) que chegaram vindas daquela região eram verdadeiras "popozudas". Quando andavam, destacava-se o belo traseiro avantajado e diziam os admiradores: "como aquelas bundas (pessoa do povo Kimbundu) são bonitas". Com o tempo, a palavra ficou associada às nádegas. Acredito que bumbum seja uma derivação ou contração de "bunda", talvez uma tentativa de expressar o "dois em um", bum bum. Acho que exagerei... essa bunda ainda rende uma monografia.
Nunca te vi, sempre te amei - O título é uma poesia. Até hoje não vi o filme. Nem muitos dos amigos que inspiraram o post.
Você sabe como capturar porcos selvagens? - Poderia estar marcado no Assunto animais.
Finalmente, Minha melhor partida de damas - É um post lido por um público restrito. Espero publicar A melhor partida que eu perdi, para esse mesmo público, desde que eu ache as anotações, é claro.

Eu adoro chocolate

Lembro agora do meu tempo de recruta na Companhia de Polícia da Aeronáutica (De soldado raso a tenente).
Numa bela manhã minha primeira tarefa, com mais um ou dois companheiros, foi varrer pouco mais de cem metros do passeio em frente ao quartel, na parte externa, trabalho hercúleo nunca dantes navegado por mim. Terminado o serviço fomos ao café e qual não foi nossa surpresa ao descobrirmos que nada nos fora reservado. Reclamamos com o sargento responsável, por sinal bem rechonchudo, e ele nos ofereceu parte de sua apetitosa ração - bifes de fígado. Infelizmente eu detestava bife de fígado e fiquei sem o desjejum naquele dia. E o sargento, quem diria, todo dia um bifezinho de fígado; a soldadesca no pão com manteiga. Eu imaginei o banquete que não seria para o tenente e o capitão. Afinal, quem pode, pode, quem não pode bate continência.

E os "home" mais lá de cima? Vejam, passado o auge da crise aérea no Brasil, o Gabinete do Comando da Aeronáutica parece ter decidido comemorar.
É o que nos diz o tópíco Carrinho de Compras do site CONTAS ABERTAS.

Carrinho de Compras: Aeronáutica compra 150 caixas de bombons e Câmara reserva R$ 650 mil para carros de luxo.

É apenas o título do artigo. Foram R$ 4,2 mil para a compra de 50 pacotes de batatas palito congeladas, 700 biscoitos cream cracker, 300 manteigas, 120 latas e 120 garrafas dois litros de coca-cola e mais de 2 mil latas de guaraná. Isso sem contar os outros R$ 8 mil para a aquisição de garrafinhas e garrafões de água mineral, 29 quilogramas (kg) de queijo parmesão, 100 kg de prato e 10 kg de minas, entre outros. A sobremesa, pelo que tudo indica será bem adocicada, já que o Gabinete decidiu comprar 150 caixas de bombons. A conta dos doces ficou em R$ 835,50 e a dos mais de 47 frascos de azeitona recheada com pimentão, R$ 398,40.
E a lista não pára por aí. O órgão resolveu encher o carrinho e reservou outros R$ 10,9 mil para comprar 120 vidros de alcaparra em conserva, 60 pacotes de amêndoas torradas e salgadas, 60 arroz da marca Tio João, 48 vidros de aspargos, 100 latas de atum, 120 azeites de oliva, 250 batatas palhas, biscoitos waffer, caldos de carne e galinha, 100 latas de castanha de caju, 55 chás de diferentes sabores, 48 frascos de cogumelos em conserva, 240 cremes de leite, 120 doces de figo em calda, 120 de goiabada e 400 dúzias de ovos. Haja fôlego e mantimentos!

Eu acabei de almoçar ainda agora e não sei como estou aguentando escrever sobre tantas guloseimas. O creme de leite e o doce de figo me tiraram do sério. Só sei que estou pagando por isso tudo, com a prestimosa colaboração de vocês.
Só mais uma informação: a Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico comprou 150 quilos de camarão graúdo e médio. O congelado, que provavelmente deverá ser consumido pela alta cúpula, custou R$ 2,6 mil aos cofres do departamento. Enquanto isso, o Batalhão de Suprimento reservou R$ 172 mil para a aquisição de um caminhão de carga. A pergunta então é a seguinte. Será que não houve uma inversão de funções entre os dois órgãos?

E quem quiser, se tiver fôlego, leia mais aqui. Ao final do artigo há links preciosos. Nessa terra em se plantando tudo dá, já dizia Caminha, há mais de quinhentos anos.

Você sabe como capturar porcos selvagens?

Querido leitor, você já alimentou animais de rua? É uma coisa comovente. Eles passam a abanar o rabo febrilmente (os cães) quando te vêm, te seguem quando você sai de casa... E com gatos? Por mais desconfiado que um gato de rua possa ser ele até permite ser acariciado por um prato de lentilhas (êpa, gato come lentilhas?).

E se você quiser capturar um porco selvagem? Recebi um email cujo assunto é o título deste post. Segue:

Havia um professor de química em um grande colégio com alunos de intercâmbio em sua turma. Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem do intercâmbio que continuamente coçava as costas e se esticava como se elas doessem.

O professor perguntou ao jovem qual era o problema. O aluno respondeu que tinha uma bala alojada nas costas pois tinha sido alvejado enquanto lutava contra os comunistas de seu país nativo que estavam tentando derrubar seu governo e instalar um novo regime, um "outro mundo possível".

No meio da sua história ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta: "O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?"

O professor achou que se tratava de uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada.
"Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho de gratuito. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca mas só em um lado do lugar em que eles se acostumaram a vir. Quando eles se acostumam com a cerca, eles voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo."

"Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios, e por isso aceitam a servidão."

O jovem então disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer neste país. O governo ficava empurrando-os para o comunismo e o socialismo e espalhando o milho gratuito na forma de programas de auxílio de renda, bolsas isso e aquilo, impostos variados, estatutos de "proteção", cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, pagamentos para não plantar, programas de "bem-estar social", medicina e medicamentos "gratuitos", sempre e sempre novas leis, etc, tudo ao custo da perda contínua das liberdades, migalha a migalha.

Devemos sempre lembrar que "não existe esse negócio de almoço grátis" e também que "não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse".

Finalmente, se você percebe que toda essa maravilhosa "ajuda" governamental é um problema que se opõe ao futuro da democracia em nosso país, você vai mandar esta mensagem para seus amigos. Mas se você acha que políticos e ongueiros pedem mais poder para as classes deles tirarem liberdades e dinheiro dos outros para beneficiar *você* ou "os pobres" então você provavelmente vai deletar este email, mas que Deus o ajude quando trancarem a porteira!


Eu faço uma crítica muito pertinente aos objetivos desse email. Nós, que somos amigos, mas que, apesar de tudo, temos nossas divergências, grandes ou pequenas; que temos uma capacidade de análise razoável da conjuntura política brasileira; que temos um nível cultural satisfatório; que podemos repudiar o que acontece na política de nosso país ou que podemos apoiar esses messias "nunca antes nesse país", nós temos uma grandiloqüência a nosso favor: os porcos selvagens não sabem ler nem discernir o bem do mal.

As águas estão rolando

Fotos do Portal G1

Não há mais queimadas pois o campo está encharcado; e também a cidade. Mas para o verde voltar àqueles morros calcinados ainda vai demorar. Pelo menos a farra do dono do boi acabou, se é que era ele quem trazia o fogo. Muita gente diz que a queimada nada mais é que uma auto-combustão.

Ontem eu queria fotografar a minha rua, que virou um rio, felizmente com uma lâmina d'água de apenas dez centímetros, mas estava sem a câmera. Minha filha saiu como quem vai à esquina comprar cigarros e quando me dei conta soube que ela estava no Chile, com a câmera e com seu laptop. E eu até tinha um recado para madame Michelle Bachelet.

Vamos falar sério. Parece que as catástrofes acontecem sempre pela primeira vez. E depois de um dilúvio como o atual os políticos aparecem para salvar a população e para propor soluções novas e duradouras. Vão dragar rios, concretar as encostas em torno dos túneis e etc.

Amanhã vou pegar a estrada. Já vou pensando em uma barreira que eu conheço de longevos carnavais.

Vejam AQUI a impressionante galeria de 19 fotos mostrando os trabalhos de limpeza da encosta do Túnel Rebouças e flagrantes do sofrimento do carioca.
É possível que se tenha que instalar Flash para ver as fotos.

Prenderam o Ali Químico

Aqui como no Iraque, o Ali "Químico" é o principal suspeito

Foto e texto abaixo do Portal G1

O engenheiro químico, suspeito de inventar a fórmula para adulterar o leite em duas cooperativas de Minas Gerais, está preso em Uberaba. Ele foi preso porque apareceu na Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale) quando a polícia fazia as apreensões, na segunda-feira.
Ele nega as acusações, mas segundo os delegados responsáveis pela investigação, que começou há três meses, a polícia já sabia que ele era peça fundamental no esquema de adulteração

Visite o site do Globo Rural. Lá, clicando no play da foto acima, pode-se ver uma reportagem sensacional sobre o leite com soda cáustica. Outras ótimas reportagens também podem ser vistas.

PS: Como o site do Globo Rural é bastante dinâmico o link que deixei acima não mais apresenta explicitamente o assunto do post. Assim sendo, clique aqui para assistir ao video.

Cabral pisa no calo do Gabão

Bush agradece ao premier australiano John Howard por visitar as tropas austríacas

Cabral falou sobre o país ao comentar medidas contra a violência. Ele disse que a interrupção da gravidez "tem tudo a ver com a violência pública". "Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal", afirmou o governador.

Acho que o pessoal do Gabão não gostou dessa distração do governador do Rio; já repudiaram suas declarações e prometeram se pronunciar oficialmente em três dias, por meio de uma nota.
O Portal G1, onde li essa notícia, não sabe ainda o que pensa Zâmbia a respeito, já que eles não mantém embaixada em nosso país.

Acho que todo governante deveria assistir a umas poucas aulas de diplomacia com ênfase pelo menos no seguinte: cuidado para não falar merda que possa melindrar um país amigo.

Cabral é aliado do Lula, deve ter aprendido as sutilezas paquidérmicas do petista. Vocês lembram que o Presidente disse, na Namíbia, que o país era muito limpo e nem parecia África? E nem se mancou. Algum assessor, assim que teve a oportunidade, deve ter-lhe dado um beliscão diplomático.

Mas isso não vai desencadear nenhuma guerra, sequer comercial. Faz parte das gafes monumentais cometidas por ilustres autoridades. Não sei se é pior do que trocar Australia por Austria (Bush), Brasil por Bolívia (Ronald Reagan) ou Venezuela por Bolívia (nosso amado e querido presidente Lula).

Os mecanismos de pesquisa e Krishnamurti

Um leitor procurou por mente confusa. Me achou. Achou também a mente confusa de Lula. Mas isso já pertence a outra enfermaria. Achou Viver sem temor, de Krishnamurti:
"Se minha mente está confusa, qualquer ação, qualquer decisão, qualquer livro, qualquer instrutor que eu siga ou qualquer disciplina que imponha a mim mesmo, estará sempre dentro da esfera da confusão. Isto é dificílimo de aceitar, para a maioria de nós. Vendo-me confuso, digo: "Se eu encontrar o verdadeiro instrutor, o verdadeiro método, a verdadeira disciplina; se eu compreender - isso me ajudará a evolver, crescer, mudar, transformar". A mente confusa, porém, qualquer que seja a sua ação, há de estar sempre confusa. Toda decisão que tomar estará ainda na área da confusão. Sendo esse estado de confusão, a realidade, o fato real, creio não devemos meramente reconhecê-lo intelectual ou verbalmente, mas, sim, experimentar realmente o estado de confusão, e daí prosseguirmos, observando o inteiro "processo" pelo qual a mente que está em confusão busca socorro".

Vou lhes contar, para usar o estilo de falar de Krishnamurti: ele já foi meu guru mas devo vos confessar que deixava minha mente muito confusa. Em suas palestras sempre dava respostas contrárias ao que esperavam dele. Literalmente tirava a escada e deixava o ouvinte pendurado na brocha.

"Se uma pessoa sabe que a verdade não pode ser achada por intermédio de ninguém, de nenhum livro, de nenhuma religião; que a Realidade só se torna existente quando a mente está de todo tranqüila; que a tranqüilidade só pode vir com o autoconhecimento, e que o autoconhecimento não lhe pode ser dado por ninguém mas tem de ser descoberto por ela própria, momento por momento - então, por certo, aparece uma tranqüilidade mental, que não é morte, mas uma paz realmente criadora, e só então pode surgir o Eterno".

Para ele a solução estava no próprio ser, na própria criatura, não em um líder e, paradoxalmente, ele se negava como condutor de opiniões, de almas, como um revelador de verdades. Aqui pra nós, eu achava Krishnamurti também de uma prolixidade sem igual. Mas era uma verborragia poética, como se pode depreender dos dois textos acima.

Tive um professor que seguia o estilo Krishnamurti - gostava de dar "bandeira" nos alunos. Quando alguém tinha uma dúvida e lhe pedia esclarecimentos ele respondia:
- Muito bem, aluno! Fico feliz de ver seu interesse. Pergunte sempre. Eu nunca vou responder mas gosto de ver que o aluno está interessado em aprender.

E dava-lhe as costas.

Era uma gozação para a mente confusa daquele aluno, um folclore sobre a personalidade do professor mas sobretudo, voltando ao filósofo indiano, talvez um incentivo para o desenvolvimento da própria personalidade, da própria pesquisa, e um incentivo à libertação da tutela do mestre, do guru. Mesmo porque uma escola de nível superior não é berçário nem lugar para... mentes confusas.

Adivinhe quem vem para jantar

Não, não é o filme. É o Romário querendo jantar o adversário.
Conforme vocês sabem, o técnico Celso Roth, o que nunca deveria ter entrado, saiu e a solução caseira é o Baixinho. Ele funcionará como técnico interino e como jogador.
De acordo com a jocosa manchete de um jornal, o "professor" Romário ainda não sabe se escalará o Baixinho.

Tribuna da Imprensa

Não foram somente os maus resultados que levaram à demissão de Roth. Sua situação no clube piorou muito na quinta-feira, quando deixou Romário o tempo todo no banco de reservas no clássico em que o Vasco perdeu para o Flamengo por 2 a 1. O veterano atacante não gostou da decisão de Roth e manifestou sua irritação a alguns dirigentes do Vasco.

No clube circula a informação de que Romário pode ser efetivado em caso de um grande resultado contra o América. O "Baixinho" já dirigiu o time no treino de ontem, no fim da tarde, em São Januário. Curiosamente, e talvez para servir de exemplo, ele participou das atividades de campo. Os jogadores receberam muito bem a indicação do colega como substituto de Roth.

O leite está mais barato, mas cuidado!

Os fregueses vêem aqui na loja à procura dos queijos e me questionam:
- Ainda não está normalizado o fornecimento? O leite já está bem mais barato!
- Não amigo, isso vale para o leite de caixinha, o longa vida. Meu queijo não é feito com esse tipo de leite.

É como se diz: você se enganou de enfermaria. E vamos ter cuidado com produtos baratos. Vejam as notícias.

Tribuna da Imprensa

A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 27 pessoas e desarticulou um esquema de crimes contra a saúde pública por meio da adição de substâncias químicas não permitidas ao leite longa vida, o que o tornava impróprio para consumo.

Conforme as investigações do Ministério Público Federal (MPF), a Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande (Coopervale), em Uberaba, e a Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), em Passos, são suspeitas de acrescentar ao leite soda cáustica (hidróxido de sódio) e água oxigenada (peróxido de hidrogênio).

As substâncias, de acordo com a PF, eram diluídas em água - junto com outras, como citrato de sódio e ácido cítrico -, numa proporção de 10% do total, e usadas para aumentar a longevidade do produto, reduzindo sua acidez. O MPF alertou que as substâncias, se utilizadas em desacordo com os parâmetros químicos indicados, "podem se transformar em poderosos agentes cancerígenos".

Dia do Aviador

Recebi de um amigo da FAB a seguinte mensagem:

DIA DO AVIADOR E DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA

23 de outubro de 2007

A NÓS AVIADORES INTERNAUTAS, COM APREÇO E RESPEITO PELA FELIZ ESCOLHA PROFISSIONAL QUE ALGUM DIA DO PASSADO FIZEMOS E QUE NOS HONRA E TRAZ O ORGULHO DE PERTENCERMOS A UMA CASTA QUE TEVE A OPORTUNIDADE DE LEVAR MAIS ALTO A BANDEIRA DO BRASIL E CHEGAR MAIS PRÓXIMO DO CRIADOR.
FELIZES VÔOS AOS QUE AINDA TÊM A SORTE DE FAZÊ-LOS.

FELIZES RECORDAÇÕES AOS QUE, POR ALGUM MOTIVO, DEIXARAM DE FAZÊ-LOS, MAS QUE AINDA VOAM EM SEUS SONHOS.
PARABÉNS A TODOS NÓS PELO NOSSO SIGNIFICATIVO DIA.


Amigo Luzardo, nós tivemos essa satisfação pessoal e profissional. Por isso é muito significativa para nós esta data. No entanto, há muitos que nada têm a comemorar, como é o caso dos 7500 aposentados do Aerus, fraudados em seus direitos até hoje. Existem projetos de senadores do PT e do PMDB liberando os céus da nação para companhias estrangeiras. Não há nada ruim para esta gente que não possa piorar. "Nunca antes neste país" o sistema aéreo esteve tão esculhambado.

Você fala espanhol ou seu português é ruim assim mesmo?

Já ouvi dizer que o espanhol é o português falado errado ou, ainda, que o espanhol é o português meio diferente.
Isso tem alguma lógica. Minha falecida avó não sabia ler nem escrever mas falava algumas palavras que compreendíamos porque no contexto: - "Entonce não tem mais precisão", ela dizia. Nordestino gosta da palavra precisão quando quer significar necessidade. Mas olha aí - entonce, então, "entonces", o espanhol castiço de mi abuelita.
Outras vezes ela dizia: - "Conheço fulano desna muito tempo". E aí exagerava. Em espanhol é desde mesmo.
Mas vejam que coisa impressionante. Achei um blog chamado O Parente da Refóias, que tem como descrição - A Região de Monchique: a actualidade e a sua linguagem tradicional, usos e costumes. O título do post era A pé, désna de Portimão a Monchique.

Um trecho desse post:
"Tal e qual c'm' l'es disse, enq'onto andí na fêra de Vila Nova, dé-me na cabeça d'ir a pé p'ra Monchique, p'a m'alembrar do tempo qu'a famila, quái toda, fazia isso p'ra baxo e p'ra cimba, q'ondo tinha míngua d'ir lá im baxo ô Algarve".

Como podem ver, minha avó tinha em sua "cultura" uma semente da flor do Lácio, bastante inculta, porém não menos bela.

Leio o blog de um cidadão de Múrcia, Espanha. Ele é muito bravo com o Zapatero. Vez por outra aparece uma palavra mais cabeluda, porém, no geral, consegue-se entender a idéia geral. Noutro dia mandei um email para ele pedindo que me ensinasse um código do blog. Apesar de alegar dificuldades em entender o que eu pedia em português, foi muito solícito e conseguiu tirar minha dúvida. Me disseram que é assim mesmo. Nos lemos razoavelmente o espanhol mas eles têm grande dificuldade de entender o português.

E eu até deixo alguns comentários no blog desse espanhol. Em espanhol, é claro, já que em português eles não me entenderiam. E não é difícil. Aprendi com minha avó como se faz.

O deserto brasileiro

Seca castiga semi-árido e governo executa menos de 3% de programa que combate a desertificação

Contas Abertas

Apesar do alerta feito no início do ano pelo Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU), de que o semi-árido brasileiro corre o risco de se transformar em semi-deserto nos próximos 60 anos, a região ainda carece de recursos governamentais. Os estados que sofrem com a seca abrigam mais de 30 milhões de pessoas. No entanto, o Programa de Combate à Desertificação (PAN), principal instrumento do governo federal ligado diretamente ao problema, sofre com a falta de recursos. Nos últimos três anos (2004, 2005, 2006), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) aplicou no programa apenas R$ 3,5 milhões dos R$ 10,4 milhões autorizados em orçamento. Este ano a situação ainda é pior. Faltando três meses para acabar 2007, somente R$ 278,9 mil foram efetivamente aplicados, dos R$ 11,3 milhões previstos, ou seja, menos de 3% do total.
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A verba autorizada para 2007 é de R$ 11,3 milhões. Porém, apesar das reivindicações do coordenador do programa por mais recursos, faltando apenas três meses para acabar o ano, foram gastos somente R$ 278,9 mil, ou seja, menos de 3% do total previsto para o ano (veja tabela). Segundo o coordenador do programa, a liberação em ritmo de conta-gotas é resultado dos limites orçamentários impostos pelo Executivo. “O contingenciamento prejudica o programa. Em 2006, 50% da verba destinada ao PAN foi contingenciada”, diz.
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A degradação da terra e a desertificação não são problemas restritos ao Brasil. 33% da superfície terrestre, uma área onde moram cerca de 2,6 bilhões de pessoas, sofrem com as mesmas dificuldades. Particularmente na região Subsahara, na África, de 20 a 50% das terras estão degradadas, área onde residem mais de 200 milhões de pessoas. A destruição do solo também é severa na Ásia e América Latina, assim como em outras regiões do globo.

Leia mais aqui.

O que me aborrece na internet

É como dizia a antiga propaganda: Não fotografou? Dançou!
Mas quem não grava também dança. Já marquei videos do You Tube como favoritos e quando fui procurá-los tempos depois, recebi a mensagem: "Este video não está mais disponível". Recentemente descobri um "maravilhoso" blog com músicas para download abrangendo diversos gêneros hospedado no Blogger. Nem cheguei a baixar nada; quando tentei, o blog já não existia. A dona apagou tudo.
Repassei para a minha lista de email um site de um fotógrafo, coisa de profissional. Havia, inclusive, uma foto 360o. Não demorou muito um amigo "reclamou" comigo que o site não funcionava mais.
- Também dancei, amigo. E talvez alguma coisa até se pudesse salvar. Não a geringonça de 360o porque aí já implicava em "flash" ou outras tecnologias não muito acessíveis ao comum dos mortais.

Hoje andei lendo posts antigos dos meus desativados blogs Seu Lalo e Represália à procura de uma história que achava já ter escrito. Não a achei. Vou escrevê-la em outra ocasião porque achei no Seu Lalo o Perdido na China que, indiretamente, me inspirou o título acima. Após fazer uma brincadeira com uma foto tirada na China indiquei o link Planet by bike, uma aventura indescritível de um ciclista atravessando alguns continentes.
E então pensei: será que dancei também nesse link? Felizmente não. Mas vão logo lá antes que seja tarde.

A sexta-feira não te pertence

Tenho um amigo que é violinista. Quando Jean-Luc Ponty, do qual sou fã de carteirinha, se apresentou no Brasil, inclusive na televisão, esse amigo fez uma observação crítica: o braço dele (o que segura o arco) é muito baixo. Ele devia levantá-lo mais um pouco.
Meu amigo: o Jean-Luc Ponty toca até de cabeça pra baixo. Não vai ser um braço mais acima, mais pro lado que vai regular seu virtuosismo.

Existe uma posição ótima para o violonista clássico. A mão deve estar inclinada de modo que os dedos estejam numa posição perpendicular às cordas. Mas se tem quem toque o violão até nas costas, temos mais é que aplaudir.

Voltando ao violinista: ele é evangélico. Quando sua esposa esteve gravemente enferma visitou-o o pastor da igreja que, ao final, fez uma oração. Ao se despedir me convidou para comparecer a um culto e me disse: "O domingo não te pertence. O domingo é do Senhor".

Atualmente sei que a sexta-feira não me pertence.

Hoje é sexta-feira. Normalmente saio de casa às 4:30 hs (acordo às 3:45 hs - só às sextas-feiras). Mas esqueci de acertar o horário de verão no celular. Ele despertou e eu estava contente por ter saído cedo. Ao começar a subir a serra de Mendes o carro começou a ratear. Parei umas três vezes durante a subida para olhar o motor. Como mecânico sou zero à esquerda. Mas conclui ser problema pequeno e continuei com a subida. Olhei o relógio do carro: 5:30 hs. Estranho, não me lembrava de ter acertado o relógio do carro. Parei num posto de gasolina em Paulo de Frontin e perguntei pelo mecânico. Me disseram que havia um do outro lado da rua. Abriria às 7:00 hs. Mas vai demorar, ainda são quinze pras seis, respondi.
- Não senhor, são quinze para as sete. No mais tardar sete e dez ele abre a oficina.

Não foi de todo mal ter perdido a hora. Dormi uma hora a mais e esperei menos de vinte minutos para ser atendido pelo mecânico. O problema era uma bobagem. A capa de metal que revestia o cabo junto às velas estava roubando corrente. Ele simplesmente retirou a capa desse cabo e me aconselhou a retirar as outras capas.
Cheguei em Paraíba do Sul às nove horas, duas horas depois do que costumo. E ainda passei em Miguel Pereira para botar a conversa em dia com o meu xará dono do Laticínio Sítio Solidão (perdido por um, perdido por mil); também peguei um pouquinho de queijo.

Cheguei a casa às 14:00 hs, tomei um banho, almocei rápido e comecei a atender as pessoas. Entre um freguês e outro comecei a escrever este post que só pôde ser concluído no dia seguinte. Como reservei um espaço com data de sexta-feira, esse post, para todos os efeitos, vai ser publicado com essa data. Mas não esperem alguma coisa de mim nesse dia. Porque, realmente, a sexta-feira não me pertence.

Não é para qualquer um

Um dia ainda aprendo a fazer esta difícil manobra

Não esconda seus milagres

Já tive tantos professores que às vezes lembro de um milagre mas não me ocorre o santo. Um deles, durante uma aula, não propriamente de matemática, mas na qual tinha de fazer alguns cálculos, ele nos pedia paciência: - "Não é que eu seja um burro, mas também não sou um Burroughs".
Burroughs era uma importante indústria que dominava o mercado de máquinas calculadoras na idade jurássica. Entenderam? Então já podem rir.
Acho que esse professor foi do curso de programador, na Petrobrás; não juro sobre a Bíblia.

Mas o professor que deu título a esse post, ou pelo menos a motivação, era coordenador das disciplinas na Escola de Aeronáutica. Ele nos ensinava cálculos matemáticos e físicos, momentos, integrais e tudo que interessasse a um engenheiro. O curso da Escola de Aeronáutica era muito bom, muito rigoroso. Quando fui para a Nacional de Engenharia fiz o pior. Me acomodei. Comecei pedindo dispensa de todas as matérias apresentando meus certificados militares.

Continuando, esse professor visitou a turma em sala um dia na qualidade de coordenador. Já com um sorriso maroto nos perguntou se ouvíamos bem as explanações do novo professor que, por sinal, tinha uma pilha bem fraquinha.
Um colega mais inspirado retrucou na lata: - "E ele fala"?
Esse professor, o coordenador, seria o Barata? Me ajudem, ex-colegas e eternos amigos!

Chegamos ao ponto. Se você não puder se apresentar, quem o fará? Não fique calado. Se você é candidato a algum cargo eletivo mas não quer assanhar a concorrência, negue. Seus futuros eleitores saberão que onde há fumaça há fogo. E suas chances já não serão zero. Se for eleito, cacareje cada ovo produzido.
Faça como os mestres. Não vê o Lula? É um exímio manipulador de números e de metáforas: "Nunca antes neste país". Viaja e viaja. Criticava o FHC nesse particular? Não me lembro. Mas certamente sim. Tudo o que criticou antes, desde tempos imemoriais, agora faz ao contrário. Como ele mesmo diz, é uma metamorfose ambulante.
Está agora na África, em ditaduras mais longas que a que tivemos aqui no Brasil, defendendo a... democracia.

Resumindo: não se cale. Divulgue seus milagres, mas milagres verdadeiros. Não meta a mão no bolso de santos da oposição.

Eu gostaria de votar novamente no Cristovam Buarque. Mas ele é tão calado, tão manso, tão "banana" - não pisa no calo do adversário. Lembre-se, Senador, uma bola dividida é um prato de comida disputado por dois mendigos famintos (que imagem horrível). Esqueça esse samba de uma nota só da educação. O povão não tem noção do que significa isso. Vamos tratar da segurança, do desenvolvimento, de tudo o mais. E até um pouquinho da educação. E aí, se ganharmos, a gente enfia goela abaixo dessa Nação a educação, a única perspectiva honesta e verdadeira que pode existir para um povo que se quer civilizado.

José Alencar foi ao Senado

O Presidente da República em exercício, José Alencar, foi hoje ao Senado para demonstrar a disposição do governo em negociar a prorrogação da CPMF. Segundo ele, o governo não faz ameaças e, seguindo o estilo Lula, disse que nunca houve um governo tão respeitador e democrata como tem sido o governo Lula. "É por isso que estamos aqui para dialogar com o Senado; não viemos para impor nem para ameaçar", afirmou.

Aos líderes dos partidos o Planalto ofereceu a desoneração de impostos e a redução da alíquota da CPMF em troca da continuidade da cobrança.

José Agripino Maia (DEM-RN) disse que gato escaldado tem medo de água fria e que o país não vai quebrar se a CPMF acabar.
Arthur Virgílio (PSDB-AM) foi mais enfático: "O PSDB não vai cair duas vezes no mesmo conto. Você cai no conto uma vez. Já caímos uma vez. Se quiserem demonstrar boa vontade já provam hoje na Câmara, se quiserem: a PEC que foi acerto do Senado com o governo, acerto que não foi cumprido, que não foi honrado".

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também estava presente e afirmou que o Ministério da Saúde fecha se não tiver CPMF ano que vem.

Agora me digam vocês, quando é que o dinheiro da CPMF foi usado para a Saúde? E eu não entendo porque o Lula na última campanha eleitoral dizia na televisão que a Saúde no Brasil estava quase perfeita. Estaria mentindo? Era apenas sua bravata habitual?
Talvez a necessidade de dinheiro seja para o seu "choque de gestão": contratar, contratar, gastar, inventar ministérios inúteis como esse do companheiro Mangabeira. E encher os porões do país com companheiros bem remunerados.

Da arte de pesquisar, da arte de jogar gude

Neste blog há um aviso: Se você chegou aqui por intermédio de uma pesquisa, etc, etc, etc... sua satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.
Eu costumo verificar as pesquisas feitas pelos leitores. Quando há duas ou mais palavras na pesquisa o motor pode achá-las separadamente, em posts diferentes e distantes e, acreditem, essas palavras podem estar até nos "comentários" dos leitores.

Um leitor me achou através de "de que lugar a bolinha de gude veio". Tiro na água. Não devolvo o dinheiro quando a pesquisa é mal feita. Tentei algo mais objetivo: "origem da bola de gude". De primeira - Jogos Infantis: Gude. Como vocês podem ver, roubei a ilustração desta página.

Pesquisa, o nome já diz, é trabalho mental-braçal, é insistência, alternativas e o bom senso de que Descartes nos achava tão bem providos. Mas não sou um expert em pesquisa. E nunca o fui na arte de jogar as gudes. Aliás, esse jogo não existe mais. Riscávamos na terra, no barro o triângulo que iria conter as bolinhas. Como riscar agora, no asfalto, a linha que definiria quem jogaria primeiro? Com giz, com uma tinta qualquer? Não teria a mesma poesia...

O jogo de gude tinha suas variantes. Havia a búrica. Como cavar no asfalto as três cavidades que conteriam as bolinhas? Há uma solução: fazer um gudódromo nas escolas, nos clubes, nas praças públicas.
A molecada vive agora nas Lan Houses. Ainda se solta a pipa pandorga mas, e as outras brincadeiras? O pião acabou - era jogado na terra. As brincadeiras de rua - pique bandeira, chicote queimado, carniça - ninguém mais vê acontecer.

Não sou contra a modernidade, mas como eu gostaria de ouvir aquele antigo "grito de guerra" - e quem teve infância sabe do que estou falando:

- "Marraio, firidô sou rei"!

Eu, candidato

Não se assustem. Não sou candidato. É apenas o assunto de um post.
Já fui candidato a vereador pelo PDT em Nilópolis em 1988. Nilópolis é a terra da Beija-Flor que é a Escola campeoníssima do carnaval do Rio de Janeiro.
Beija-Flor é uma marca forte e famosa. Não poucos serviços comerciais ostentam esse título.
Um ex-prefeito do município, o sr. João Baptista, conhecido como Joãozinho, deu, na época, uma entrevista na televisão. Perguntado sobre a importância do fenômeno Beija-Flor no desenvolvimento geral da cidade, respondeu: - "Só se for a Pipoca Beija-Flor", que era uma dentre tantas marcas. Uma maldade, sem dúvida, e uma alfinetada nos dirigentes da Beija-Flor, que são os atuais "donos" da cidade, como costumam dizer alguns moradores.

No PDT me forneceram apostilas com material político, com a história do partido. Em uma das reuniões dos candidatos fui instado a discorrer sobre democracia. Não deixei barato. Falei o que pensava ser a democracia. Acho que eles não gostaram. O presidente local do partido ensaiou uma correção.
Minhas convicções se cristalizam a cada dia. Democracia é uma palavra vazia; a despeito do Bush, a despeito de qualquer desgraçado que queira ser o dono da verdade. E vejam vocês: Lula está em um périplo pela África. Sim, amigo leitor; pode tomar no sentido figurado do Houaiss. Périplo é uma viagem turística de longa duração. E o que foi o nosso (nosso, não; de vocês) presidente fazer lá? Foi a lugares onde impera uma cruel ditadura falar sobre... democracia. Muito meigo!

E o que é a democracia? Democracia vem da palavra grega “demos” que significa povo. Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo.
Mas aqui o povo não manda porra nenhuma, vive levando calça arriada e ainda diz: me engana que eu gosto!

Eu fico com a minha democracia; sigam-me os que forem brasileiros ou fiquem com o Lula, ou com o Bush. Para quem tem gosto apurado, até o Chavez é democrata.

Revogam-se as disposições em contrário.

A propaganda é a alma do negócio

Spam é uma coisa terrível.

Hoje recebi o seguinte, da Dionne Bullock, com o seguinte assunto: Give your woman something to work with ya

Lenghten your Johnny by up to 3+ cm !!
You have our promise that you will have full satisfaction, or we will return your money back!!


Por Zeus, eles estão errando o alvo por muito. Se eles soubessem que estou querendo diminuir... Estou recebendo muitas queixas das usuárias.

E antes de me criticarem, leiam bem o título do post.

Renan: foi bom enquanto durou...

A quem tiver tempo para acessar o Photoshop ou outro que tal, coloque aí uma auréola nesse cristão, que eu publico!

Por uma questão de economia processual o deputado Chico Alencar do PSOL defende que os processos contra o senador Renan Calheiros devam ser unificados. O PSOL está entrando já com o sexto processo.
Acredito que seja uma grande perseguição da oposição ao glorioso senador, uma flor que eu nunca me permitiria cheirar...

O senador Renan Calheiros e seu irmão, o deputado federal Olavo Calheiros, ambos do PMDB de Alagoas, conseguiram garantir, entre 2003 e 2006, o envio de R$ 3,6 milhões dos cofres da União para a Prefeitura de Murici, por meio de suas emendas individuais. Isso, sem contar as emendas de bancada e de partido.

É por isso que o Macaco Simão se permite dizer desta dupla: É O lavo e o sujo.

Pra não dizer que não falei de flores

Minha mulher sofreu um pequeno acidente e está com um braço imobilizado. A irmã dela vem todos os dias para fazer a comida e executar pequenas tarefas. Estou preocupado. Num dia é camarão, noutro, strogonoff, noutro ainda, uma suculenta carne cozida. E sinceramente, a boa Adauto Rampini, do alambique Rampini, sempre diz presente. Só não tenho receio de me tornar um alcoólico anônimo porque sou bastante conhecido.

Crie seu podcast

Há algum tempo escrevi um post cujo tema era inspirações sinceras. O músico, assim como o poeta, sempre tem uma inspiração para a sua obra, inspiração nem sempre sincera. Ele pode estar pensando na pessoa amada, num amor não correspondido, em sua terra distante, em um povo oprimido não importa em qual lugar do planeta, ou na melodia inebriante de um... "colega". Neste último caso há o risco de se incorrer em plágio.
E o meu amigo, violonista Dilvar, teve uma inspiração incomum: o movimento incessante de um elevador e as perguntas irritantes dos usuários - Sobe? Desce?
Mas não fotografou, não gravou nem escreveu a partitura. Estou indo em seu socorro enviando um pequeno mp3. A memória de um violonista são os dedos. Se você ficar pensando na melodia vai engasgar no meio da execução. Comece do começo. Seus dedos resolverão todo o problema. Espero que os dedos do Dilvar se lembrem dessa elegante peça e ele possa gravar e brindar os leitores do blog com a sua performance.

Mas como gravar? Não vou ensinar isso. Vou apenas indicar o tutorial Create your own podcast do site CNET.com. Sigam os steps, do 1 ao 8. Leiam os textos e assistam aos vídeos.
Eu uso um headset Leadership; não possuo gravador de mp3 ainda. Uso o programa "de grátis" Audacity, versão 1.2.6. Como sou fraco mas abusado, instalei também a versão beta 1.3.3. É preciso ter ainda, em qualquer lugar do computador, o arquivo lame_inc.dll para que se possa salvar arquivos mp3. Esse arquivo há como baixar do site do Audacity. Teclem Audacity no Google ou em qualquer outro motor de busca para entrar no site.
Depois, faço um upload desse mp3 para o site PodcastOne e já estou no ar. Não resolvi ainda a questão dos feeds.

O CNET é em inglês. Sorry, mas como dizia Nelson Rodrigues - e não sobre saber inglês - há cidadãos que são capazes de se engasgar com o palito ou serem atropelados pela carrocinha de Chicabon. Saber inglês nos livra de muitos acidentes corriqueiros.

Uma fonte muito boa para podcast é o blog da minha querida amiga Alê, o Justale Podcast, onde comecei a ter valiosas informações sobre o assunto. Clique na aba Crie seu Podcast. Espero que possa ajudar também a vocês.

Os escaninhos do cérebro - 2

Após colocar o título deste post lembrei que havia um título semelhante no blog SEU LALO. Observei que o gif animado sumira. Consegui recuperá-lo. E aproveitei para alinhar o texto, justificar, é como se diz.

Morreu Paulo Autran. Não vou escrever a respeito. Já li diversos textos nos principais portais e vi inúmeras fotos do grande artista. Mas é que eu sou fraco para teatro. Moro numa cidade relativamente distante do Rio e isso sempre foi um problema, agora acentuado devido ao clima de violência generalizado no país. Tanto que a tendência atual é colocar os espetáculos num horário mais... vespertino.
Essa condição de suburbano me lembrou uma aula de matemática ou português, não estou certo, na antiga Escola de Aeronáutica, onde alguém, talvez o próprio professor, comentou o assunto comunismo. Numa sociedade em que, pretensamente, todos teriam direitos iguais - dizia o mestre, quem irá morar em Copacabana e quem irá morar no subúrbio?
Um meu amigo, sem deixar a bola cair, emendou de primeira: - "No subúrbio vai morar o Lailo".
Muy amigo, muy amigo...

Os escaninhos do meu cérebro abriram-se ainda para recordar os amigos "laranjeiras" que se convidavam para um fim de semana lá em casa. Não era agradável passar um fim de semana na Escola mesmo porque, segundo o dito popular, soldado no quartel quer serviço.

Mas por que "laranjeira"? Na Academia Militar das Agulhas Negras existe até a Casa do Cadete Laranjeira que acolhe os ditos cujos e também oficiais solteiros. Essa denominação "laranjeira" é originária da Academia Militar na Praia Vermelha. E se espalhou talvez nas três armas.
Quem souber a etimologia da expressão "laranjeira" deixe seu arrazoado nos comentários. Eu estou morrendo de curiosidade.

A hora do sono

Gata Azul - o sol nasceu para todos; a sombra e um lugar fofinho, para poucos

Cíntia - mas o importante é tirar um cochilo

Tatu (Taturana) - desde que seja num cantinho sossegado sem paparazzi à vista

Carmen Monarcha

Eis o que o meu amigo virtual Ivan me proporcionou. Uma descoberta incrível. Uma brasileira com uma voz belíssima, natural de Belém do Pará e que reside na Holanda. Se você entrar no You Tube e procurar os related videos achará maravilhas interpretadas por essa belíssima mulher.

Tive uma professora de canto já entrada em anos e com uma estatura acanhada. Mas se você a visse no palco julgaria estar assistindo a uma gigante tal a sua desenvoltura musical e sua bela voz.

Carmen Monarcha calada já é um monumento de mulher. Cantando desperta as emoções mais recônditas do mortal comum; faz brotar a santa alegria e uma inexplicável lágrima.

Ouça a ária "O mio bambino caro" da ópera Gianni Schicchi de Puccini que, não sei porque razão, aparece no video como "O mio babbino caro".


Nunca te vi, sempre te amei

O título dá o que pensar. E eu estou pensando seriamente em procurar esse filme nas locadoras. Eu não sou muito fã de cinema mas é impressionante como sou capaz de associar um título de filme a cada post que publico.
E o presente post é uma homenagem a todos os meus amigos virtuais, a quem nunca vi, mas que, com certeza, sempre amei. São pessoas que estão dispostas a ajudar com uma palavra de carinho, de incentivo; que fazem blogs com uma finalidade de ajudar o náufrago em busca de uma tábua de salvação. São amigos que interagem com sua imagem literária acrescentando subsídios à idéia original, completando e ampliando objetivos. São amigos que não têm blog mas que enriquecem o conhecimento, que compartilham com você as riquezas da internet, abrindo horizontes desconhecidos até então. A todos vocês eu agradeço de coração e me disponho, como sempre fiz, a dar a contrapartida. A amizade, como tudo na vida, é uma via de duas direções. Pensem nisso.

E o sertão virou mar

Ainda a propósito do artigo anterior

Barragem de Sobradinho - CHESF, foto de Wellinton29

A 2 Km de Remanso, Bahia, foto por Christovam Lopes Regis Junior

A 2 Km de Remanso, Bahia, foto por Brunoremanso

Ilha do Tesouro, no meio da represa a 18 km da barragem de Sobradinho, foto por Daniel Protásio

Sobradinho

Sá & Guarabira

O homem chega já desfaz a natureza
Tira gente põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia, vai subir bem devagar
E passo a passo, vai cumprindo a profecia
Do beato que dizia que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
O sertão vai virar mar
Dói no coração
O medo que algum dia
O mar também vire sertão
Adeus Remanso, Casanova, Sentisé
Adeus Pilão Arcado veio o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira, o Gaiola vai subir
Vai ter barragem no Satu do Sobradinho
O povo vai se embora com medo de se afogar
O sertão vai virar mar
Dói no coração
..............

São Raimundo Nonato - Piauí

Cabras famintas procurando alimento na caatinga de São Raimundo
Noutro dia o Piauí esteve na berlinda por um motivo de somenos importância, creio. Os piauienses ficaram chateados porque Paulo Zottolo, presidente da Philips afirmou que "se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado". E se desencadeou uma cruzada cívica em defesa do pobre porém decente estado.
Setores do PT disseram ser esse fato uma manipulação de setores contrários ao partido e ao Governo Lula. Eles têm mania de perseguição. O governador Marcelo Deda (PT), de Sergipe, disse que se fosse com o seu estado, ele pregaria um boicote contra os produtos da Phillips.
Já o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), afirmou à Folha que encaminharia ao presidente Lula e ao Congresso Nacional um ofício para que o governo e o parlamento se posicionassem quanto ao que considera "um deboche" do presidente da Phillips, Paulo Zottolo, ao Estado.

E olhem que no Brasil não existem moinhos de vento pelo menos em número proporcional a esses romanescos Dom Quijotes de la Mancha (já é o terceiro post nestes dias que me socorro de Miguel de Cervantes).

Mas agora o negócio é sério. O Piauí tem reais dificuldades: 147 dos 223 municípios piauienses decretaram estado de emergência até o dia 5 de outubro. O que estaria fazendo o PT em defesa dos cidadãos piauienses além de lhes minorar o sofrimento com o fornecimento do parco Bolsa-Família?
Muito já se falou sobre a indústria da sêca. Dela vivem esses poderosos deputados e senadores de todos os partidos que, através dos anos, trazem seu povo na esperança de dias melhores sabendo que a esperança concretizada matará sua galinha dos ovos de ouro.

Eu queria deixar minha sugestão para acabar com essa indústria da sêca mas não posso ser um inconsequente. Não tenho idéia sequer do que seja a transposição do São Francisco. Felizmente o Google, o atual pai dos burros, nos dá inúmeras possibilidade de conhecer vários ângulos da questão. Li o seguinte: "Atualmente, existem dois cenários bem definidos com relação ao tema. O primeiro é o cenário do imediatismo, caracterizado pela ânsia de fazer chegar água, a todo custo, nas torneiras da população (pensamento muito comum na classe política), sem haver, no entanto, a preocupação com as conseqüências impostas ao ambiente ao se adotar essa alternativa e o segundo é o cenário da ponderação, caracterizado por preocupações constantes (principalmente na classe técnica) com relação às limitações das fontes hídricas na condução do processo transpositório. O primeiro cenário diz respeito às questões do Brasil virtual e, o segundo, às questões do Brasil real".

Muitas considerações, nenhuma solução. E a última frase da última pesquisa feita foi escrita aos 6 de setembro de 2000, dizia:
"Finalmente, cremos que é chegada a hora de se fazer um amplo debate sobre essas questões junto à comunidade para se avaliar a pertinência ou não da realização do projeto transpositório. Aliás, será a população que, futuramente, irá pagar a conta do projeto, quer usufrua ou não da água do Velho Chico".

Atualmente se ouvem as galinhas cacarejar. Ovo? Nenhum!

A foto de satélite abaixo mostra a represa de Sobradinho. São mais ou menos 170 quilômetros de água! A largura máxima é de 20 quilômetros. Raimundo Nonato no Piauí, município assolado pela sêca fica a apenas 100 quilômetros de Remanso, às margens desse lago fabuloso. Não daria pra puxar uma tubulaçãozinha até lá?


Barragem de Sobradinho. Na parte inferior, a eclusa.

Sharlene

Hoje eu gostaria de escrever sobre... Guevara. Porém prefiro apresentar Sharlene.
Vocês podem ler sobre o guerrilheiro no portal G1: Luta de Che Guevara ainda é atual, diz Emir Sader
Para esse pensador de esquerda, o guerrilheiro também queria um 'outro mundo possível'. 'Tudo que é rebelde e solidário atualiza a presença de Che', afirma.
Já eu tenho preferência por Don Quijote de La Mancha. Atualmente não sei o que pode ser tomado por moinhos de vento. E isso vale em relação a Guevara ou a Emir Sader. Na entrevista ao G1, feita por e-mail, Sader respondeu que, se Che estivesse vivo, ele estaria "em algum lugar da América Latina, da África ou da Ásia, no sul do mundo, lutando pela emancipação dos povos."

Eu gostaria então que, se vivo fosse, Guevara estivesse combatendo a opressão e as injustiças praticadas contra o povo em... MYANMAR. Seria interessante.

Já Alvaro Vargas Llosa, filho do escritor peruano Mario Vargas Llosa, define Guevara como "o perfeito idiota latino-americano, personagem de dois de seus livros.
Leiam aqui. Eu sigo com Sharlene.

Sharlene é uma gata. Eu a chamo de Cachorrinho porque anda colada nos meus pés. Eis uma pose para a posteridade felina.

Crítica da razão pura

Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)

A opinião que cada pessoa tem sobre a vida, sobre a sociedade, sobre as pessoas, conhecidas ou não, é uma construção lenta e adquirida na leitura de jornais, revistas, no contato com pessoas e algumas vezes na observação direta dos fatos. Mas essa construção pode se dar instantâneamente dependendo das circunstâncias dos acontecimentos.

Eu gostaria de escrever uma pequena monografia sobre o assunto só que minha modesta formação é de ciências matemáticas; me faltam os mecanismos metafísicos para levar a bom termo esse tipo de trabalho.
Será que me bastaria ler "A crítica da razão pura" de Kant ou o "Discurso do Método" de René Descartes para obter uma base sólida de argumentação? Seria preciso contar só com o bom senso de que fala Descartes, aquela coisa mais bem distribuída na face da Terra, já que todo ser humano se julga bem provido dele?

Ontem um amigo me disse que não gostava do Brizola entre outras coisas porque no seu governo haviam sido cortadas algumas vantagens de servidores do Estado, sendo esse amigo um desses servidores. Esse é um critério de se formar uma opinião. Se o fulano me prejudicou já vai ganhar uma nota baixa comigo. Foi o que aconteceu com o atual governador de São Paulo quando era titular do Ministério da Saúde; diz-se que ele demitiu seis mil mata-mosquitos. Segundo os humoristas, Serra era muito boa pessoa - não fazia mal a um mosquito! No governo Lula os mata-mosquitos foram chamados ao trabalho. Ponto para o Lula. É por isso que ele promove o bem estar social dos brasileiros. É por isso que dizem que a distribuição de renda no governo Lula cresceu quatro vezes mais que nas duas gestões anteriores. Mas terá realmente crescido a renda ou a esmola? Ensinaram a arte da pesca a algum pobre?

Quando se lê um veículo da grande imprensa, que dizem escrever para as elites e depois se lê o que seria a imprensa nanica, onde escrevem os filósofos, políticos e simpatizantes das esquerdas - e essa distinção não sou eu quem faz, eles se reconhecem assim -, as opiniões sobre os mesmos fatos e pessoas parecem ser sobre fatos e pessoas muito diferentes. Cada um puxa a brasa para a sua sardinha.
Muito se fala sobre imprensa isenta. O atual governo diz que a mídia não tem isenção e está tratando de criar a TV pública que irá contar a verdade verdadeira com a maior isenção.
A grande imprensa diz que não é sensacionalista e que não comete baixarias. Isso é verdade. Quem comete as baixarias é algum jornalista da casa. Eles se permitem opinar que fulano e cicrano defendem idéias ultrapassadas como nacionalismo, populismo, etc... O populismo está mais vivo que nunca. Está aí o Lula com seu Bolsa-Esmola que não me deixa mentir. O Garotinho deixou o restaurante de um real. Grande sucesso!

O truque de quem quer formar opinião, muitas vezes, é contar a história do Boitatá. Tem muita gente que acredita.

As flores que não desabrocharam

Prosa com cara de poesia ou
Um instantâneo da infância

A água descia muito forte e me conduzia por entre a relva alta.
Meu corpo não flutuava, era arrastado.
E eu pensava que sabia nadar.
Chuva é a alegria de toda criança.
Naqueles tempos, raros eram os muros, raras eram as edificações.
Minhas modestas aventuras de menino bem comportado não tinham barreiras.
Viam-se as ruas do outro lado do quarteirão.
E fazíamos nossos próprios atalhos;
para ir para a escola;
para ir brincar com a garotada;
assim atravessávamos os terrenos baldios.

Minha casa nunca teve um jardim. Atenção, já mudei de cenário e de estilo literário. Estou morando agora a 300 metros do lugar onde se originou esta narrativa. Meu pai sonhava ter um sítio algum dia, um sonho não concretizado. Mas nosso terreno era um pequeno sítio e um quarto dele, 12 X 10 metros, era plantado com cana de açúcar. Outra área, de 15 X 10 metros produzia aípim. Sem contar os cinco abacateiros, o pé de carambola e um pé de feijão-guandu.

Ainda a chuva. Uma conhecida da minha mãe me havia prometido mudas de flores. Eu deveria ir buscá-las quando chovesse. Mas eu era muito guri. Esse projeto de jardim não foi adiante.

Meu pai era caminhoneiro. As condições da estrada Rio-Bahia eram péssimas. As viagens duravam dez, quinze dias, pelo menos. Quando ele voltava sempre havia más notícias - sobre o custo de vida. Minha mãe desfiava o rol da carestia e eu ficava deprimido. E arquitetava a organização de uma grande horta para prover o sustento da família. Mas no dia seguinte eu já estava jogando bola de gude com a molecada.

Acredito até que um pouco adiante eu tenha derrubado alguns moínhos de vento. Mas não foi no tempo em que eu nem sabia nadar.

Método difícil para coisas fáceis

Quando precisei levantar meu tempo de trabalho para a aposentadoria me informaram que eu havia contribuído trinta e um anos e dez meses. Lembrei-me dos meus dois meses de recruta na Companhia de Polícia da Aeronáutica no Rio de Janeiro, para fechar 32 anos. Um soldado consultou meu nome no computador e me deu a má notícia: nada constava, eu nunca existi como soldado.
Vocês estão de prova; quem leu ou lerá De soldado raso a tenente sabe que deixei minhas digitais naquele lugar.
Mas é o caso, não jurei bandeira, não passei a pronto, portanto não existi.
Antes de ir para Barbacena devolvi toda o fardamento que tinha recebido, até o borzeguim. Cortei todos os vínculos com meu tempo de soldado. Mas eles continuaram pagando meu soldo. Não é estranho? Eu não existia mas eles me pagavam o soldo. Pior, eu nem sabia que estava recebendo esse dinheiro. E como eu soube? Soube no dia em que meu soldo, lá em Barbacena, veio todo descontado.
Segundo um maravilhoso folhetim que recebi da turma nosso "pequeno soldo cobria basicamente as seguintes despesas: o pagamento da lavadeira (para quem não usava a lavanderia da Escola), o cinema aos sábados, um sanduíche de mortadela nos sábados e nos domingos no bar do Gino, uma passagem baixa pelo BM (não sei o que é isso, hehehe!) ao menos uma vez por mês (ninguém era de ferro!).
Haviam inúmeras outras pequenas despesas: tomar um sorvete com Grapete numa padaria em frente à praça, despesas com envios postais (sêlos), compra de frutas diversas (eu adorava caquis) e corte de cabelo na barbearia da Escola.
E eu fui descontado. Como iria ficar minha vida? No primeiro licenciamento fui ao Rio, na Companhia de Policia. O meu dinheiro, que me havia sido pago, estava todo lá. Assinei um documento e recebi. Um modo meio complicado mas com transparência total.

Se eu podia alegar esse pagamento, quase três meses após meu desligamento, para reivindicar meus dois meses como soldado? Nenhuma chance!

Amanhã é sexta-feira

A sexta-feira é um dia cruel para mim. Não foi sempre assim. É a sêca, é a sêca. Há escassez de leite e, portanto, uma forte demanda por queijos. Tive a sorte de achar um queijo diferenciado; meus fregueses não querem ficar sem ele. Portanto há uma corrida ao queijo na sexta-feira. Sinto-me como o Barbeiro de Sevilha:
"Tutti mi chiedono,
tutti mi vogliono,
donne, ragazzi,
vecchi, fanciulle"

Sou o patrão de mim mesmo, um patrão severo que não me permite ausentar-me, a não ser por motivo de força maior. Nem sair mais cedo posso. Porém me vingo. Tendo que abrir a loja às 8 hs, se me convier abrirei às 8:30 hs, ou nove horas ou quinze para as dez.
Portanto, blogar ou visitar meus amigos hoje não me é permitido como eu gostaria. Porém tenho um truque. Abro uma postagem nova, salvo como rascunho e, tendo um tempinho, publico no sábado. Sai com data de sexta.

Isso me lembra meus tempos de programador PL-one. O processo começava com os cartões JCL (job control language) que diziam qual programa iria ser executado e quais arquivos seriam usados. E havia um cartão DD dummy - mudo, calado, de fachada, de mentira. Não me lembro bem para que servia.
Meu sentimento me diz que nesta sexta-feira estarei publicando um post DD dummy. Esse cartão JCL nunca negou fogo.

Já ouviu falar em língua bunda?





O UOL Diversão e Arte divulgou hoje algumas poucas fotos da Exposição "Ocultos" em Madri e disse tratar-se de 67 fotografias de bumbuns.
Eu, como nasci analfabeto, fui ao Houaiss (sem o Houaiss não sou ninguém) procurar o termo bumbum. Como eu previa não existe lá essa palavra com a acepção de "derrière".
Não acho que bunda, em letra de forma, seja algo agressivo. Afinal, é a preferência nacional, machismos à parte. No visual, há algumas até que "agridem".

Tive um professor de português que, após uma explanação não assimilada pela turma, se "exasperava" (na verdade, ele não tava nem aí) dizendo: - "Por acaso estou falando em lingua bunda"?
Frequentemente ele recorria à essa terminologia para ressaltar suas virtudes de bom mestre e deixar evidente que aqueles a quem ele tentava levar o conhecimento do vernáculo eram, na verdade, um bando de toupeiras.
Os alunos levaram "na sacanagem" durante muito tempo até o dia em que o professor nos explicou que lingua bunda ou kimbundu era um dialeto ou lingua africana. Você pode ler a respeito aqui. Blog também é cultura.

O pedreiro da literatura

Faltava aqui a categoria educação. Não falta mais.

Se você achar o texto a seguir interessante leia a íntegra aqui.

Conheça a história de Evando dos Santos, um sergipano radicado no Rio de Janeiro que transformou a paixão pela leitura numa biblioteca comunitária com 40 mil livros.

Trabalhando como pedreiro, Evando dos Santos, um sergipano radicado no Rio de Janeiro, ajudou a construir muitas casas. Por muitos e muitos anos, essa foi sua rotina de vida. Apaixonado pela literatura, em certo dia, Evando viu sua vida dar uma guinada quando ia ao trabalho. Naquele dia, ao deparar com uma pilha de livros em cima do balcão de uma loja, Evando teve a idéia de iniciar outro tipo de construção: a de uma biblioteca. Foi assim que surgiu a Biblioteca Comunitária Tobias Barreto de Menezes, no bairro Vila da Penha, na capital do Rio de Janeiro. Segundo ele, nela o lema é dizer sim à cultura e não à burocracia. Lá, o usuário pode pegar quantos livros quiser e devolvê-los quando bem entender. Caso não devolva algum, não há problema: se ficou com ele é porque gostou, e isso é um bom sinal.

Não dá vontade de chorar?

Fundada em 1998 com apenas 50 livros, a biblioteca conta hoje com um acervo de 40 mil exemplares. Para chegar a esse número, as dificuldades enfrentadas foram grandes. Muitos livros foram transportados por Evando de ônibus, sob o escaldante sol carioca. Além disso, o fundador da biblioteca teve de superar mais um problema, o preconceito. “As pessoas acham que sou desqualificado para lidar com livros porque tenho um ‘intelecto não lapidado’, ou seja, não sei escrever”. Mas a palavra desanimar não faz parte do vocabulário de Evando. Apesar das dificuldades, ele conseguiu montar e expandir a biblioteca em um curto espaço de tempo e conquistou o apoio de gente importante, como Oscar Niemeyer, que, sensibilizado com a história de Evando, deu-lhe de presente o projeto arquitetônico da nova biblioteca, que deverá ser construída em breve.

Nada a declarar


Há quem relacione o fato ao que acontece na República dos Apedeutas. Acho isso uma maldade. Prefiro responsabilizar um funcionário dotado de alto "QI" que, não por acaso, permanece anônimo, entenderam?

Deu na Folha de São Paulo. Eu li na página do UOL.

Um único carimbo fabricado com pouco zelo em relação à língua portuguesa fez com que milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado trouxessem um "Congreço Nacional" estampado nos cantos inferiores de suas páginas.
O tropeço vocabular está grafado em documentos como medidas provisórias enviadas pelo Executivo. O carimbo, fabricado em meados de agosto, está em documentos com datas até cerca de três semanas atrás, quando finalmente alguém descobriu o erro.
Segundo a Secretaria Geral do Senado, um funcionário da Secretaria de Coordenação do Congresso - que não teve o nome divulgado - encomendou por conta própria o carimbo, já que o que usava estaria desgastado. Ainda segundo a secretaria, funcionários do Senado passaram desde então a anular manualmente o "Congreço" e a carimbar "Congresso Nacional" ao lado.

De minha parte, nada a declarar!

Mente confusa

Preciso achar tempo para procurar coisas desaparecidas.

Primeiro: as anotações de minhas partidas de damas, para poder escrever outros artigos relacionados. O único que fiz teve relativo sucesso e quase sempre aparece aqui nos mais lidos da semana. É um modo gratificante, para usar uma palavra da moda - e quem me conhece sabe que detesto palavras da moda -, é um modo, dizia, de promover meu blog passando alguns modestos conhecimentos a jogadores iniciantes.

Segundo: os códigos de um programa em C que fiz para combinar números e apostar na Mega-Sena. Fiz esse programa em um micro da Apple e além de gerar as apostas ele fazia também a impressão dos volantes. No escritório (quando eu batia ponto), assim que o programa ficou pronto, fizemos um bolão, oito colegas, e acertamos quatro números. Naquele tempo só existia a Quina, depois adaptei para Sena. Ganhamos quatro ou cinco quadras e vinte e poucos ternos. Havia um sério problema, e todos estavam cientes: o programa eliminava algumas combinações e a aposta ficava mais barata. Assim, podíamos acertar os cinco números mas ter a combinação ganhadora descartada.

Terceiro: um caderno com as anotações de músicas com autor e intérpretes contidas em quase 100 jurássicos cassetes. Sem essas anotações a manipulação desses cassetes ficou aleatória e nesses cassetes estão gravadas duas apresentações que fiz, junto com outros alunos, na Escola Villa-Lobos. Aos músicos, a quem pretende estudar qualquer modalidade de expressão musical, sugiro acessar aqui a página da Escola.

Quando essas coisas forem publicadas aqui no blog é lógico que as achei. Devo publicar o programa da Mega-Sena já compilado informando o endereço de onde deverá ser baixado. Posso disponibilizar também o código. Separem um dinheiro para apostar e sonhar.

À proposito, sabem uma coisa que me deixa irado? É quando eu jogo na Mega-Sena e vou conferir o resultado. Estão lá todos os meus números! Inacreditável, eu estou milionário!!! Mas então eu acordo assustado no meio da noite quieta e desolada.

Ainda sobre Lacan

Entenda por que Lacan contribuiu para a compreensão da teoria social

Um considerável número de entradas no blog é feito pelas palavras chaves Real, Simbólico e Imaginário muito justamente porque fazem parte do título e porque, vez por outra, são tema de artigos, além de serem categorias para marcação de artigos. E toda pesquisa tendo por base essas palavras conduzem invariavelmente a Lacan.

Há mais um livro sobre o assunto, conforme se lê na Folha Online:
O psicanalista Jacques Lacan (1901-1981) tinha tudo para ser esquecido, por se tratar de um autor reconhecidamente difícil, de poucos textos, redigidos em estilo elíptico. No entanto, suas idéias tornaram-se ponto de passagem obrigatório não apenas para os interessados na clínica psicanalítica, mas também para quem pretende compreender a filosofia, a teoria social, a estética e a crítica da cultura no início do século 21. Leia abaixo a introdução do livro.

O livro "Lacan" é mais um volume da série "Folha Explica." Ele pode ser encontrado nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha.

Com um diploma de médico-legista nas mãos, Lacan toma duas decisões quase simultâneas: inicia uma análise didática que lhe permitirá ser psicanalista e segue os cursos do filósofo russo Alexandre Kojève (1902- 1968) sobre a Fenomenologia do Espírito, de Hegel (1770-1831). Em 1975, quando comentou a reedição de sua tese, Lacan dirá que resistiu durante tanto tempo à sua republicação: "porque a psicose paranóica e a personalidade não têm relações, pela simples razão de que são a mesma coisa".

É verdade que a clínica e a teoria lacanianas serão radicalmente modificadas ao longo dos anos. Mas nada entenderemos do sentido dessas modificações se não tivermos uma noção clara do processo de desenvolvimento do pensamento lacaniano desde seu início. Assim, vale a pena descrever esses primeiros passos, a fim de identificar a razão pela qual suas reflexões clínicas se transformaram em referência maior para as estratégias de autocompreensão do presente. Tais considerações servem ainda como resposta à questão sobre como começar a ler sua obra. Por mais estranho que possa parecer, devemos começar a ler Lacan pelo começo.

Quem tiver maior interesse no assunto leia a íntegra aqui. O livro tem 96 páginas e custa R$ 17,90.